Um grupo de cerca de 60 vendedores da Feira da Ladra concentrou-se hoje no Largo do Campo de Santa Clara, em Lisboa, para exigir a reabertura do espaço. Os vendedores criticam a Câmara Municipal de Lisboa por não apresentar justificações para a não autorização de funcionamento da feira.
O plano do protesto simbólico passava por montar as bancas sem quaisquer artigos, ocupando assim o espaço público, mas a Polícia Municipal não o permitiu.
Sandra Raposo, porta-voz dos feirantes, afirmou à Lusa que a autarquia enviou para o local efetivos da Polícia Municipal para não deixarem “montar as bancadas vazias” e, em alternativa, foram “colocados panos no chão”. Os feirantes protestam porque querem apenas “trabalhar” e voltar a fazer negócio naquele espaço.
Os comerciantes pedem ao município que reabra a Feira da Ladra porque existem “condições de segurança para o fazer” e que aplique a isenção das taxas de ocupação, pelo facto de não estarem a trabalhar.
“Se não estamos a trabalhar por que é que temos que estar a pagar taxas de ocupação? Sem receitas, como é que as pessoas podem fazer o pagamento das taxas de ocupação, se este é o único rendimento? É impossível”, disse, indicando que em seis meses foram realizadas seis feiras.
A porta-voz dos feirantes lembrou ainda que muitos dos 320 vendedores da Feira da Ladra têm na atividade a sua única fonte de receitas.
“E quando falamos em 320 vendedores isso significa cerca de 900 ou 1.000 pessoas dependentes da Feira da Ladra, que já estão mesmo no limite da pobreza e sem alimentos na mesa. O que é que a Câmara pretende com isso? Já nos leva a desconfiar que há outra coisa por trás. Reduzir o número de feirantes? Só vão sobreviver aqueles que vão conseguir pagar? Porquê?”, declarou Sandra Raposo à Lusa.
E acrescentou: “É todo esse mistério envolvente neste processo que nós queremos desvendar e queremos que a Câmara nos explique o porquê disto tudo? Porque não faz sentido”.
A feirante lembra ainda que no caso dos mercados da Ribeira e Campo de Ourique, os vendedores foram isentados do pagamento das taxas de ocupação e as rendas foram reduzidas pelo município, coisa a que os vendedores da Feira da Ladra não tiveram direito.
Os feirantes marcaram novos protestos para segunda feira, junto à Assembleia da República, e terça-feira novamente na Feira da Ladra.
“O nosso protesto vai continuar até termos respostas ou, pelo menos, nos isentarem das taxas de ocupação”, finalizou a porta-voz dos feirantes da Feira da Ladra.