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Uso de pesticidas causa 200 mil mortes por ano, alerta a ONU

Relatório da ONU indica que o uso de pesticidas, principalmente na agricultura, é a causa de 200 mil mortes por ano, devido sobretudo, a envenenamento.
Foto de Tony Winston/Flickr
Foto de Tony Winston/Flickr

Hilal Elver, relatora do estudo das Nações Unidas sobre o direito da alimentação, afirmou na apresentação do relatório que a maioria da população mundial está exposta aos pesticidas, através da água, dos alimentos, do ar e também do contato direto com estes produtos químicos e os seus derivados.

Para Hilal Elver, os pesticidas causam danos irreversíveis à saúde uma vez que são causadores de doenças como a Alzheimer, cancro, doença de Parkinson, além de problemas hormonais, anomalias no processo de crescimento ou esterilidade.

A relatora da ONU, que apresentou os resultados de um ano de investigações e visitas a várias regiões do mundo, indicou que 99 por cento dos casos graves de contaminação acidental com pesticidas ocorre nos países em desenvolvimento.

Os pesticidas causam danos irreversíveis à saúde uma vez que são causadores de doenças como a Alzheimer, cancro, doença de Parkinson, além de problemas hormonais, anomalias no processo de crescimento ou esterilidade

De acordo com Elver, as populações dos países da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos não estão protegidas dos efeitos da utilização dos pesticidas, embora a UE aplique alguns princípios de precaução o que não acontece nos EUA.

"Embora nestes locais não haja grandes acidentes, o que se está a passar é a modificação dos genes das plantas. Trata-se de um problema de ordem sistémica", disse aquela responsável, tendo ainda acrescentado que "em todos os países há exposição crónica a pesticidas. Nenhum está imune".

Reagindo ao documento, a Quercus afirma em comunicado que a utilização destes produtos faz parte de um modelo de agricultura desatualizado que serve os interesses das multinacionais, num momento em que tenta sensibilizar as empresas e entidades, nomeadamente as autarquias, para a redução de uso dos pesticidas e para o abandono de herbicidas como, por exemplo, o glifosato.

No texto, a associação ambientalista sublinha que os pesticidas são “ineficazes para garantir a segurança alimentar, tóxicos para a saúde humana e para o ambiente”, sendo apenas benéficos para “as multinacionais e a indústria, enquanto os agricultores da União Europeia lutam para sobreviver".

Indústria dos pesticidas: um lobby poderoso

O comunicado da Quercus - que vai realizar um encontro nacional sobre este tema onde pretende apontar práticas alternativas ao uso de herbicidas químicos - faz referência à posição da Pesticide Action Network Europe, uma organização europeia da qual é membro, a defender que a indústria dos pesticidas "gasta milhões de euros a fazer lobby para a manutenção dos seus produtos tóxicos no mercado".

"Muitas vezes, [a indústria de produção de pesticidas] apresenta informações falsas aos decisores políticos, assusta as pessoas com números alarmantes, como o de 85% de perdas se não usarem pesticidas e insiste em realçar o argumento do medo da fome", denuncia a associação ambientalista, acrescentando ainda que a diferença de rendimento entre a agricultura convencional e a biológica "é de 8% ou 9%, comparada com os mais de 30% do desperdício anual de alimentos".

Além destes aspectos, o custo das "externalidades ultrapassa os benefícios que os pesticidas possam implicar", lê-se ainda no comunicado.

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