Um quarto da água é desperdiçada nas condutas

27 de August 2022 - 16:59

O desperdício na rede de águas em Portugal é de 1,9 mil milhões de litros por ano, o suficiente para abastecer um milhão de pessoas. Um dos problemas é falta de manutenção.

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Torneira a pingar. Foto de Scouse Smurf/Flickr.
Torneira a pingar. Foto de Scouse Smurf/Flickr.

Por ano, são captados para consumo humano 820 milhões de metros cúbicos de água. Cerca de um quarto desta quantidade, 194 milhões de metros cúbicos, o correspondente a 1,94 mil milhões de litros, perde-se nas condutas da rede pública. Na agricultura, que consome 70% do total da água captada no país, as perdas são da ordem dos 35%.

Contabilizando apenas a parte da água captada para consumo humano e que é desperdiçada, esta daria para abastecer perto de um milhão de pessoas.

Os números são da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos e são revelados pelo Expresso. Por ramal e por dia, são perdidos nos sistemas urbanos de distribuição de água para consumo humano, em média, 125 litros. As piores situações encontram-se em Loures e Odivelas, Anadia e São Brás de Alportel, com perdas de perto de 400 litros por ramal por dia; Terras de Bouro, Moimenta da Beira e Macedo de Cavaleiros, com perdas de mais de 370 litros; e Lagos com perdas acima dos 245 litros.

O semanário falou com Jaime Melo Baptista, ex-presidente da ERSAR e atual presidente do Lisbon International Center for Water. Esta organização apresenta-se como “um centro internacional sem fins lucrativos que visa uma melhor governança da água”, tendo sido criado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, pela Fundação para os Estudos e Formação nas Autarquias Locais, pela Associação das Empresas Portuguesas para o Sector do Ambiente e pela Parceria Portuguesa para a Água. O seu dirigente dá conta de uma “estagnação nos últimos anos”, nestes indicadores “o que é grave, especialmente agora que vivemos um período de seca extrema” e diz que “a solução para o problema das perdas de água reais e não faturadas passa pela combinação de uma melhoria da governança das entidades gestoras, uma melhoria da gestão patrimonial das infraestruturas e uma adequada política tarifária”.

Já Pedro Cunha Serra, ex-presidente do grupo Águas de Portugal, defende que “é preciso reforçar a Agência Portuguesa do Ambiente para que tenha mecanismos para fiscalizar os usos e licenças de recursos hídricos”.