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Trabalhadores das Águas de Portugal fizeram “a maior greve dos últimos tempos”

A paralisação de 24 horas fez-se acompanhar por concentrações e desfiles em vários pontos do país. A administração da empresa é acusada de “intransigência” por ignorar as propostas sindicais e por ter retirado a proposta que estava a ser discutida com os sindicatos.
Trabalhadores das Águas de Portugal em luta. Foto do STAL.
Trabalhadores das Águas de Portugal em luta. Foto do STAL.

Esta quinta-feira, os trabalhadores do Grupo Águas de Portugal fizeram uma greve de 24 horas. De acordo com os sindicatos da CGTP que a convocaram, a Fiequemetal e o STAL, foi “a maior greve dos últimos tempos” no setor, tendo sido encerradas “a generalidade das estações de tratamento de águas e de águas residuais” do país. Nas que não o foram, o serviço foi feito por trabalhadores em greve, ao abrigo dos serviços mínimos decretados. A adesão foi igualmente forte noutras atividades como a prevenção, manutenção, medição, laboratório, apoio ao abastecimento e em alguns serviços administrativos.

Segundo os dois sindicatos, este nível de participação no protesto “é bem demonstrativo do profundo descontentamento dos trabalhadores relativamente à política de estagnação salarial adotada no Grupo ADP". Esta contrasta com “a distribuição dos mais de 415 milhões de euros de lucros (entre 2018 e 2021) pelos acionistas”.

À Lusa, Mário Matos, dirigente da Fiequimetal, explicou que “o que os trabalhadores precisam e exigem é que o Acordo Coletivo de Trabalho seja cumprido e que o Conselho de Administração se disponibilize para uma verdadeira negociação, com vista à revisão da Tabela Salarial, entre outras matérias”.

Os trabalhadores querem um aumento salarial de 90 euros, um regime de carreiras, categorias profissionais e funções “que valorize e reconheça a experiência profissional e o empenho dos trabalhadores”, o fim do trabalho precário, a contratação de mais trabalhadores e a atribuição de um suplemento de penosidade, insalubridade e risco.

Acusam a administração da empresa de “intransigência”, insistindo em ignorar as suas propostas. Para além disso, a Comissão Negociadora da empresa recuou no processo negocial, “tendo retirado a proposta que estava a ser discutida com as duas estruturas sindicais, atitude reveladora de falta de respeito pelos trabalhadores e de indiferença relativamente aos problemas e dificuldades com que se debatem no dia a dia, situação agravada pela subida brutal dos bens alimentares, da energia e dos combustíveis”.

No dia da paralisação, houve ainda várias concentrações em diferentes pontos do país como Vila Real, Aveiro, Coimbra, Lisboa e Portalegre. Nelas foram aprovadas resoluções que depois foram entregues às diferentes empresas do Grupo ADP. Aí se reitera a “a disponibilidade para o diálogo e a negociação, por forma a encontrar-se soluções para os problemas concretos dos trabalhadores”, pretendendo-se retomar o processo negocial que estava em curso, mas também não se exclui a necessidade de se voltar à greve.

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