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Trabalhadores da Patologia do Hospital de Coimbra continuam expostos a produtos tóxicos

Desde 2014 que há um projeto de arquitetura para remodelação mas as obras ainda não avançaram. Em fevereiro, uma denúncia enviada à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde indicava níveis de formal 300 a 400% acima do recomendado.
CHUC. Foto do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.
CHUC. Foto do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

A necessidade de obras é reconhecida há muito. Por isso, desde 2014 que havia um projeto de arquitetura para a remodelação do Serviço de Anatomia Patológica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Este não foi considerado satisfatório e foi mandado para trás. Só dois anos depois seria terminado um novo, com uma estimativa de custos de cerca de 1,6 milhões de euros. Este foi aprovado pelo Conselho de Administração em março do ano seguinte. O projeto foi depois enviado à Administração Regional de Saúde do Centro para parecer técnico. Os pedidos de esclarecimento e respostas sobre ele duraram até julho de 2019. O parecer final acabou por ser que o projeto de Aquecimento, Ventilação e Ar-Condicionado estava desatualizado. E um novo projeto só foi concluído em maio de 2021. Espera agora novos pareceres.

O relato das vicissitudes deste processo é trazido este domingo pelo Público que conta também que a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde comunicou ao CHUC que “após a validação do projeto pela Administração Regional de Saúde do Centro e parecer da Administração Central do Sistema de Saúde” deve proceder “à abertura do concurso público da empreitada, sem delongas”. A entidade diz que “a saúde dos trabalhadores não pode ser posta em causa” e recomenda desde já “a instalação de um novo equipamento de ventilação mecânica controlada” nas salas onde seja mais elevada a

“exposição a produtos tóxicos” e “que seja feita a renovação frequente dos filtros dos ventiladores e se obtenham determinações dos níveis de formol com concentrações aceitáveis”. Se não for possível, aconselham-se os Hospitais de Coimbra a encontrar “outra solução de espaço viável à acomodação do serviço”.

Esta entidade recebera em fevereiro uma denúncia em que se apresentavam os níveis de formol no serviço de Patologia como estando entre “300 a 400 por cento acima dos níveis recomendados”. Acrescentava-se que, conhecidos os problemas, “nunca foram tomadas medidas corretivas de forma definitiva”. Na carta explicava-se que a exposição ao formol pode causar malformações em feto e danos no desenvolvimento num serviço em que há “cerca de 50 elementos, muitos de idade jovem e em idade reprodutora”. Contava-se mesmo o caso de uma técnica que teria metido baixa, tendo desenvolvido uma gravidez de risco por causa das condições no serviço.

A denúncia exemplificava que o estudo macroscópico estaria a ser realizado numa “sala sem as mínimas condições, com abertura constante dos frascos de menores dimensões e lavagem das peças de maiores dimensões a “céu aberto”, com exposição prolongada de pelo menos cinco elementos do SAP no período de estudo macroscópico.”

Esclarecia-se que “mesmo tendo sido adquiridos ventiladores para as salas com maior exposição e os processadores estejam acondicionados em áreas isoladas por vidros e com drenagem para o exterior, os níveis de exposição a produtos tóxicos não foram neutralizados na totalidade, em virtude de condições deficientes e desatualizadas das infra-estruturas, mais concretamente da ventilação” e que “os ventiladores funcionam com filtros que necessitam de renovação frequente, situação que não é cumprida”.

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