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Trabalhadores da Docapesca em greve por aumentos salariais

Trabalhadores da Docapesca estão em greve nesta quarta-feira e acusam o Ministério das Finanças de ter travado o acordo a que a administração da empresa e o sindicato tinham chegado.
Greve na Docapesca - Foto CGTP
Greve na Docapesca - Foto CGTP

A paralisação de 24 horas dos trabalhadores da Docapesca foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante, Agências de Viagens, Transitários e Pesca (SIMAMEVIP).

Em declarações à Lusa, Paulo Lopes, coordenador do sindicato, explicou que o sindicato não quer prejudicar o setor. "Não é nossa intenção prejudicar o abastecimento de peixe fresco, o que os trabalhadores pretendem é mostrar o seu descontentamento ao Governo, concretamente ao Ministério das Finanças, que impede a melhoria dos salários".

A Docapesca faz parte do Setor Empresarial do Estado, pelo que a alteração das remunerações tem de ser aprovada pela tutela e pelas Finanças. "O problema não foi com a empresa, com a qual chegámos a um entendimento em junho, depois de vários meses de negociação, nem com a secretaria de Estado das Pescas e o Ministério do Mar, mas sim com o Ministério das Finanças", disse o sindicalista.

Paulo Lopes explicou que esse acordo a que tinham chegado com a tutela, e que foi “chumbado pelo Ministério das Finanças", previa aumentos entre os 4% e os 5% para a maioria dos trabalhadores e de mais de 10% para os salários mais baixos, que correspondem ao salário mínimo nacional. Estavam ainda previstas melhorias nas carreiras e a fixação do salário mais baixo da empresa nos 750 euros, para se diferenciar do salário mínimo nacional.

"Esta é uma empresa altamente rentável, por isso não há qualquer motivo para os salários não serem revistos", afirmou Paulo Lopes.

A greve levou a uma adesão quase total ao protesto, inviabilizando o funcionamento das lotas.

Paulo Lopes assegurou, no entanto, que o peixe fresco não corre qualquer risco porque serão assegurados os serviços mínimos de recolha do peixe da pesca artesanal, feita com barcos pequenos, para ser colocado em frigoríficos e vendido na quinta-feira.

A pesca de arrasto não deverá ser afetada pela greve pois é uma pesca de longo curso, feita com grandes barcos que têm os seus próprios frigoríficos.

A Lusa referiu, antes da greve, que se as lotas não funcionarem, o pescado da pesca de cerco, como a da sardinha, não poderá ser vendido, mas a data da greve foi escolhida para coincidir com uma quarta-feira, que é o dia da semana recomendado pelo Instituto do Mar para descanso desta espécie.

A paralisação começou às zero horas desta quarta-feira e vai terminar às 24h. Na manhã desta quarta-feira realizou-se uma ação pública de protesto na lota de Setúbal, com a presença de Isabel Camarinha, secretário-geral da CGTP.

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