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TikTok: Mais um peão na guerra tecnológica entre EUA e China

Trump assinou esta semana uma ordem executiva que proíbe o TikTok nos EUA a partir de meados de setembro. Os olhos estão agora postos nas negociações entre a Microsoft e a empresa chinesa ByteDance. A transnacional americana pretende ficar com o negócio global da aplicação, com exceção do mercado chinês.
TikTok. Foto publicado em Max Pixel (CC0 Public Domain).

No final de julho, o New York Times deu conta das negociações entre a Microsoft e a ByteDance para adquirir o TikTok. Logo na madrugada do primeiro dia de agosto, sábado passado, Trump foi perentório: "No que diz respeito ao TikTok, estamos a bani-lo dos Estados Unidos". O presidente norte-americano, citado pela CNN, garantiu ter “essa autoridade". Na sequência desta ameaça, as negociações entre as duas empresas chegaram a ser suspensas. Mas, logo a seguir, Donald Trump e o presidente da Microsoft entenderam-se, com a transnacional americana a garantir que iria seguir as recomendações de Trump. Este acordo pressupõe que o Tesouro norte-americano também entra no negócio. E assim foram retomadas as negociações.

Entretanto, Trump voltou à carga, emitindo uma ordem executiva que prevê a proibição de qualquer negociação nos EUA com o TikTok e a plataforma WeChat, detida pela chinesa Tencent, a partir de 15 de setembro. Para justificar a sua decisão de banir o TikTok, o presidente norte-americano alega que a aplicação de vídeos curtos detida pela empresa chinesa ByteDance põe em causa a segurança nacional. Na quinta-feira foi ainda aprovado no Senado norte-americano, por unanimidade, um projeto de lei que proíbe o TikTok nos dispositivos entregues pelo Governo aos seus funcionários ou membros do Congresso. No mesmo dia, o Financial Times noticiou que a Microsoft pretende ficar com o negócio global da aplicação, com exceção da Douyin, a versão do TikTok que opera no mercado chinês.

O TikTok tem vindo a negar todos as acusações do governo dos EUA e já tinha avançado, inclusive, que estava a ponderar separar o TikTok do resto da empresa, criando, para o efeito, um nova estrutura fora do território chinês.

Confrontados com a ordem executiva de Trump, os representantes do TikTok reagiram em comunicado de imprensa. Afirmando-se chocados com a decisão do presidente norte-americano, garantem que a aplicação “nunca compartilhou dados de utilizadores com o governo chinês, nem censurou conteúdo a seu pedido”.

Estamos chocados com a recente ordem executiva”, escrevem, sublinhando que, durante praticamente um ano, tentaram chegar, “de boa fé”, a uma “solução construtiva tendo em conta aquelas que eram as preocupações expressas” pela administração Trump.

Em vez disso, o que encontrámos foi que a administração não prestou atenção nenhuma aos factos, ditou os termos de um acordo sem passar por processos legais padrão e tentou inserir-se em negociações que estão a decorrer entre empresas privadas”, acrescentam.

O TikTok alerta que esta ordem executiva “abre um precedente perigoso”, garantindo que vai “procurar todos os recursos disponíveis” para garantir “que o Estado de Direito não é descartado e que a nossa empresa e utilizadores são tratados de forma justa — se não for pelo governo, então pelos tribunais dos EUA.”

O governo chinês acusa, por sua vez, os EUA de “manipulação política e repressão” por parte das autoridades americanas: Washington colocou “os seus interesses egoístas acima dos princípios do mercado e das regras internacionais”. Os EUA “exercem uma manipulação política arbitrária e repressão, que só podem levar ao seu próprio declínio moral e danificar a sua imagem”, afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wengbin, em conferência de imprensa.

A rede social de partilha de vídeos curtos detida pela ByteDance, empresa tecnológica chinesa avaliada em 117 mil milhões de euros, alcançou uma enorme popularidade nos EUA, principalmente entre a população jovem. A aplicação de vídeos curtos tornou-se, inclusive, a primeira rede social chinesa a conseguir uma dimensão tão significativa entre os utilizadores fora do seu país de origem. Nos primeiros três meses de 2020, o TikTok registou 315 milhões de downloads, mais do que qualquer outra aplicação, conforme refere a empresa de análise Sensor Tower.

A primeira polémica à volta da empresa surgiu quando esta foi multada em 5,7 milhões de dólares nos EUA por recolha ilegal de informação de crianças menores de 13 anos. A rede social tem vindo ainda a ser criticada pelas regras de censura fortes dirigidas contra conteúdo LGBT, críticas ao sistema político chinês, defesa da independência da Irlanda do Norte entre outros. É no mercado chinês que as normas de exclusão são mais rigorosas.

Caso a Microsoft venha a fechar negócio com a ByteDance, a transacional americana entrará para o mercado das redes sociais, competindo com o Facebook e a Google. Na quarta-feira, a empresa liderada por Mark Zuckerberg anunciou o lançamento do Reels, uma ferramenta do Instagram que copia as funcionalidades do TikTok.

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