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TikTok, a rede social dos jovens censurada pela sua proprietária chinesa

Tibete, Tiananmen, Falungong, são palavras proibidas na TikTok. Aparentemente um canal em que se publicam vídeos livremente, a rede social criou regras de censura fortes dirigidas contra conteúdo LGBT, críticas ao sistema político chinês, defesa da independência da Irlanda do Norte entre outros.
Foto de Aaron Yoo/Flickr.

Cresceu quase fora do olhar dos adultos. E tornou-se popular entre os jovens, aparentemente por isso mesmo. A TikTok é uma rede social de partilha de pequenos vídeos, de no máximo 15 segundos, que tem 500 milhões de utilizadores. É propriedade da chinesa ByteDance que fundiu a sua aplicação original, lançada em setembro de 2017, e a Musical.ly que era já uma das plataformas mais populares entre os jovens britânicos e norte-americanos.

A primeira polémica à volta da empresa surgiu quando esta foi multada em 5,7 milhões de dólares nos EUA por recolha ilegal de informação de crianças menores de 13 anos. Também no Reino Unido está a decorrer uma investigação acerca do tratamento de dados de menores.

A semana passada, o Washington Post tinha investigado a censura de imagens dos protestos de Hong Kong. E um artigo publicado esta quarta-feira pelo jornal The Guardian vem lançar mais achas para a fogueira. Os jornalistas revelaram as normas de censura seguidas pelos moderadores desta rede social que censuram vídeos que façam referência à Praça de Tiananmen Square, à questão tibetana, ao grupo religioso FalunGong entre outros.

Segundo estas normas, há duas categorias de censura. Uma é a “violação” que implica apagamento do conteúdo e pode levar o utilizador a ser banido, a outra, menos grave, é alvo de uma censura encapotada: estes conteúdos serão marcados como “visíveis para si próprio”, ou seja limita-se a sua divulgação sem o apagar.

É para a China que as normas de exclusão são mais rigorosas. Mas a censura é colocada a maior parte das vezes de modo abstrato e geral, juntando alguns exemplos escolhidos cuidadosamente. Ou seja, fala-se em banir “críticas/ataques relativamente a políticas, regras sociais de qualquer país, como a monarquia constitucional, monarquia, sistema parlamentar, separação de poderes, sistema socialista, etc.”, “a demonização ou distorção da história local ou de outros países como os motins de 1998 na Indonésia, o genocídio do Camboja, os incidentes da Praça de Tiananmen”, “tópicos altamente controversos como separatismo, conflitos com seitas religiosas, conflitos entre grupos étnicos, por exemplo exagerar conflitos entre seitas islâmicas, incitar à independência da Irlanda do Norte, da República da Chechénia, do Tibete e de Taiwan e exagera o conflito étnico entre brancos e negros”. Já publicações que promovam o grupo religioso FalunGong, perseguido desde 1999, são banidas.

Confrontada com o documento, a TikTok explicou que essa versão tinha sido retirada em maio passado e que há novas regras onde já não surgem referências específicas e que aquelas se destinavam a “minimizar o conflito na plataforma” entre grupos, reconhecendo agora que “esta não é a abordagem correta e começámos a trabalhar para empoderar as equipas locais que têm uma compreensão específica de cada mercado”.

Contudo, continua a ficar pouco claro o que significa este “refinamento local das políticas globais” de censura de conteúdo da empresa. Destes guias locais faz parte um conjunto de regras “estritas” para os países que têm os códigos morais mais conservadores para além de outras dirigidas a países específicos.

As primeiras, claro, não melhorarão muito a situação face às regras genéricas. As segundas, adaptadas localmente podem também não o fazer. Segundo o Guardian, na Turquia é banida a referência ao Curdistão e Erdoğan não pode ser criticado. E a TikTok vai mais longe na censura do que as leis do país: barra imagens de consumo de álcool, de “deuses não-Islâmicos” (sic), ilustrando o que quer dizer com “Jesus, Maria, anjos”.

Para além disto, neste país, há um conjunto de regras dirigidas à censura de homossexualidade: “imagens íntimas (mãos dadas, toques, beijos) entre amantes homossexuais” são censuradas, bem como “notícias, personagens, música, televisão, imagens” relacionadas com a proteção de direitos ou a “promoção da homossexualidade”.

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