TAP: Plano de reestruturação está desajustado e vai “destruir” empresa

31 de May 2022 - 22:45

Várias estruturas representativas dos trabalhadores alertam que atualmente os níveis de produção rondam os 90% face a 2019, quando as previsões falavam em 70%, e que faltam trabalhadores.

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Avião da TAP. Foto de Mário Cruz/Lusa.

No âmbito de audições na Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação da Assembleia da República, várias estruturas representativas dos trabalhadores assinalaram que o plano de reestruturação da TAP não teve em conta uma recuperação tão acelerada como a que estamos a registar e que o desajustamento deste documento pode pôr em causa a viabilidade da empresa.

“Na nossa opinião este plano como está, a manter-se, vai destruir a empresa”, afirmou Paulo Duarte, do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava), citado pela agência Lusa. O dirigente sindical assinalou ainda que a nova gestão está a traduzir-se em “esvaziamento” dos sindicatos.

Fernando Henriques, também do Sitava, criticou, por sua vez, a gestão dos aeroportos nacionais, da responsabilidade da Vinci, dona da ANA.

“O aeroporto de Lisboa é hoje um centro comercial equiparado ao Vasco da Gama e Colombo, com uma diferença: apanham-se lá aviões. Mas é secundário”, afirmou. Fernando Henriques frisou que “a TAP é vítima da forma como a Vinci gere o aeroporto de Lisboa e os aeroportos nacionais e não o inverso”.

O presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), Ricardo Penarroias, advertiu para o desajustamento do plano de reestruturação da TAP, apontando que “hoje vivemos numa operação a 90% de 2019” quando as previsões falavam em 70%.

As declarações da coordenadora da Comissão de Trabalhadores da companhia, Cristina Carrilho, foram no mesmo sentido: “O plano neste momento encontra-se desatualizado. Os níveis de operação encontram-se perto dos 90%. Há na generalidade falta de trabalhadores”.

Cristina Carrilho defendeu ainda que “devia haver já este ano uma reposição do valor retirado aos salários”.

Tiago Faria Lopes, presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), denunciou que os acordos de emergência foram assinados em “modo de coação” para evitar “despedimentos de pilotos”, alertando que “hoje em dia são cancelados voos por falta de pilotos”.

A plataforma de sindicatos de terra do grupo TAP juntou-se às críticas, com André Teives a referir que “os ATE [acordos temporários de emergência] foram necessários, mas é preciso hoje adaptar os mesmos à nova realidade”.

Paulo Manso, presidente da direção do Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (Sitema), falou sobre um problema que está a afetar estes profissionais: “Existe muita procura por estes técnicos, que estão a sair para outros mercados e empresas”, frisou.

Referindo-se ao longo período de formação dos técnicos e ao custo que lhe está associado, Paulo Manso destacou que “estamos a ceder estes técnicos a custo zero” a outras empresas.

“Muitos colegas que saíram da TAP vão trabalhar para outras empresas que já estão a fazer trabalhos para a TAP e ganham duas ou três vezes mais”, explicou. Esta realidade traduz-se na “terceirização”, destes serviços, por falta de capacidade da companhia.

O Sindicato Nacional dos Engenheiros (SNE) também abordou a sangria de profissionais. “O que se assiste agora é a uma fuga de quadros altamente qualificados”, observou João Carvalho, representante desta estrutura.

“Saíram 52 engenheiros entre 2020 e 2022 e é provável que saiam bem mais do que isso”, vincou.

João Alves, da Comissão de Trabalhadores dos Serviços Portugueses de Handling, deixou outra advertência: nos últimos dois anos na Groundforce, é “muito difícil contratar”.

O responsável criticou também o facto de o plano de insolvência da Groundforce, detida em parte pela TAP, continuar suspenso, o que traz vários constrangimentos aos trabalhadores.