Sindicato fala de assédio laboral e perseguição sindical na wTplay

23 de October 2022 - 10:15

O SINTTAV denuncia que a delegada sindical foi pressionada e transferida compulsivamente de posto de trabalho após uma greve bem sucedida por aumento de salários.

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SINTTAV. Foto da CGTP.
SINTTAV. Foto da CGTP.

Em comunicado, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual denuncia a situação da sua delegada sindical na wTPlay – Serviços Interactivos de Entretenimento, Lda., uma empresa do mercado audiovisual que fornece serviços de infografismo e gestão de canais à empresas como a RTP, NOS, Altice, TV Globo, Eleven Sports e Canal Q.

De acordo com o sindicato, depois de uma greve bem sucedida, que levou a um aumento de salários, foi proposto à delegada sindical a mudança de projeto e posteriormente o despedimento por alegada extinção do posto de trabalho. A trabalhadora entretanto fez uma cirurgia para remoção de um tumor cerebral e que regressou ao trabalho foi confrontada com uma transferência compulsiva de posto de trabalho.

O SINTTAV conta que “apesar de sistematicamente se gabar dos lucros que ia obtendo”, a empresa praticava baixos salários, perto do salário mínimo, e manifestava “irredutibilidade em negociar condições dignas para os seus trabalhadores”. A luta dos trabalhadores obrigou a administração “a realizar aumentos substanciais e a colocar em prática formas rudimentares de um plano de carreiras” mas “manteve a sua postura claramente anti sindicato, recusando qualquer diálogo construtivo”. Para além disso, mudou os horários de trabalho praticados há anos especificamente no projeto onde a delegada sindical está inserida “levantando suspeitas legítimas de se tratar de uma represália”.

Assim, diz a direção sindical, a wTplay “parece agora apostada em recorrer a algo que pode constituir a prática de assédio moral e perseguição sindical”. Para além da proposta de mudança de projeto e de despedimento “através do pagamento de uma pequena verba a que a empresa chamava indemnização”, indica-se que a seguir à sua recusa ela “foi avisada” de que isso “a deixaria em má situação”. Refere-se um quadro de “contínua pressão, bem como um ambiente de trabalho que, entretanto, foi degradado sem a sua responsabilidade” que só foi interrompido “quando a trabalhadora foi forçada a requerer uma prolongada baixa médica, devido ao seu debilitado estado de saúde”. Já a transferência com que foi confrontada no regresso da sua cirurgia “viola a regulamentação de trabalho”, de acordo com os sindicato”.

Sobre a “sequência de pressões” dizem que “não encontramos qualquer outra justificação senão o facto desta ser delegada sindical. A provar-se, este tipo de atitudes constituem uma grosseira violação da Lei”.

O SINTTAV diz ainda que “não deixará de denunciar publicamente esta onda de casos de assédio moral crescente no seu ramo de atuação, as telecomunicações e os audiovisuais, para que a decisão histórica sobre o caso de Cristina Tavares, passe a fazer parte das práticas de gestão, não só de empresas com marcas reconhecíveis, preocupadas com os seus danos reputacionais, mas também das empresas que para elas trabalham nos bastidores e onde por vezes reinam ambientes de medo, represálias e precariedade que não aceitaremos nunca!”