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SICMAN quer despedir um terço dos trabalhadores no aeroporto de Lisboa

Sindicato das Indústrias Elétricas do Sul e Ilhas denuncia tentativa de despedimento coletivo de 42 de trabalhadores que qualifica como “fraude”. SICMAN não recorreu a nenhum mecanismo de apoio quando o aeroporto esteve parado, avançando com o despedimento quando há aumento de trabalho.
SICMAN quer despedir quase metade dos trabalhadores do aeroporto de Lisboa
Fotografia de Nelson L./Flickr.

A SICMAN, empresa da Siemens, anunciou um despedimento coletivo de 42 trabalhadores do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. O motivo alegado, denuncia o Sindicato das Indústrias Elétricas do Sul e Ilhas (SIESI) em comunicado, é a redução de trabalho na sequência do impacto da pandemia de covid-19.

Segundo o SIESI, a comissão sindical na SICMAN foi informada na passada semana da intenção da empresa avançar com um despedimento coletivo de 42 dos 120 trabalhadores que trabalham no aeroporto de Lisboa. Os trabalhadores da SICMAN são responsáveis por garantir toda a operação no sistema de tratamento de bagagens. Segundo contacto da agência Lusa com uma fonte sindical, os trabalhadores são responsáveis pela operação, manutenção e reparação dos tapetes rolantes das cargas e descargas das bagagens.

O anúncio da intenção de despedimento coletivo foi recebido por todos com surpresa, uma vez que a empresa não recorreu ao lay-off, nem a qualquer outra medida semelhante, no período de estado de emergência quando o aeroporto de Lisboa esteve praticamente parado, afirmou à Lusa Diogo Correia, dirigente do SIESI. Por isso, causa estranheza aos sindicalistas que o aviso chegue numa altura em que o volume de trabalho está novamente a aumentar.

“E agora [a SICMAN] pretende justificar, numa altura em que os voos retomaram valores de crescimento assinaláveis e a TAP anuncia acréscimos de 300% em reservas, o despedimento de quase 50% da sua força de trabalho”, afirmou o sindicalista, acrescentado que os trabalhadores estão dispostos a lutar pelos seus postos de trabalho.

O sindicato considera este processo de despedimento coletivo “nulo”, uma vez que é composto por “muita informação incorreta e não respeitou os prazos legais”.

Segundo o SIESI, a empresa foi criada em 2003 “exclusivamente para ser utilizada como uma fuga à contratação de trabalhadores efetivos para os quadros da ANA e depois da, então, Siemens, SA e posteriormente Siemens Logistics, Lda”. Porém, a situação não surgiu apenas em 2003, com o sindicato a denunciar que “foi antecedida por esquemas idênticos, com a Siemens já envolvida”.

A SICMAN trabalha em todos os aeroportos nacionais, empregando no total 210 trabalhadores. A Siemens, proprietária de 95% da SICMAN, tem o contrato de prestação de serviços em áreas dos aeroportos geridos pela ANA em todo o país.

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