Durante a reunião entre representantes patronais da Schnellecke e o SITE Norte, mediada pela DGERT para definir eventuais serviços mínimos da greve marcada para esta sexta e sábado, a administração da empresa comprometeu-se a encontrar soluções alternativas ao despedimento coletivo de doze trabalhadores, em troca da retirada do pré-aviso de greve por parte do sindicato.
“O SITE Norte, após auscultar os trabalhadores e a sua estrutura representativa na Schnellecke, decidiu dar mais uma oportunidade à administração, para pôr fim a um despedimento injusto”, afirma a estrutura sindical em comunicado citado no portal O Minho.
“Foi cancelado o pré-aviso de greve e foi adiada a concentração em frente das instalações da Continental Mabor. Esta, como sempre dissemos, também tem aqui uma responsabilidade acrescida e estamos convictos de que teve um papel, embora camuflado, a interceder junto de uma empresa que presta serviço nas suas instalações, para continuar a declarar que é uma empresa socialmente responsável”, acrescenta o comunicado. No próximo dia 13 de outubro há nova reunião entre as partes para conhecer as ditas soluções alternativas propostas pelo patronato.
A Continental Mabor, situada em Vila Nova de Famalicão, é uma empresa de produção de pneus que conta com mais de 2.300 trabalhadores. Nas suas instalações está situada a Schnellecke Logistics, empresa que presta serviços à Continental Mabor. Esta empresa tem apresentado práticas recorrentes de desrespeito pelos direitos dos trabalhadores.
Em agosto, a Schnellecke Logistics anunciou a intenção de avançar com o despedimento coletivo de doze trabalhadores, que “têm salários acima do salário mínimo, fruto da luta e da negociação com as empresas que antecederam a Schnellecke”, denunciou o SITE Norte em comunicado, acrescentando que “este processo de despedimento faz parte de uma estratégia que visa precarizar as relações de trabalho e baixar salários até aos mínimos legais.”
O SITE Norte recorda que em 2020, quando o serviço foi para a Schnellecke, havia 194 trabalhadores efetivos e doze temporários. Desde então, o número de trabalhadores temporários quase triplicou.
Em protesto contra este despedimento coletivo de doze pessoas, os trabalhadores marcaram dois dias de greve, nos dias 7 e 8 de outubro, e uma concentração em frente às instalações da fábrica esta sexta-feira, iniciativas que ficaram sem efeito após o recuo da empresa.