Santuário de Fátima usa crise pandémica como "pretexto" para despedir, acusa sindicato

03 de September 2020 - 14:02

Porta-voz do Santuário afirma que serão despedidas cerca de 50 pessoas. Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro denuncia pressões contra trabalhadores.

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Santuário de Fátima
Santuário de Fátima. Foto de Therese C, Flickr.

Em declarações à agência Lusa, Carmo Rodeia avançou que o Santuário de Fátima colocou em marcha um plano de reestruturação interna que visa fazer face a uma “queda muito significativa” nas receitas, passando pela redução do número de trabalhadores. A situação financeira efetiva do Santuário é, no entanto, desconhecida, dado que o espaço não divulga publicamente as suas contas desde 2006.

“Informou-se os trabalhadores da situação e deu-se a possibilidade de refletirem sobre a sua situação contratual de forma voluntária. Por isso é prematuro estarmos a falar em números concretos para a redução de postos, mas no final do processo estamos em crer que não chegará à meia centena”, afirmou a porta-voz do espaço.

De acordo com o Público, o Santuário de Fátima enviou uma carta aos 308 funcionários para refletirem sobre a sua situação laboral. O jornal diário refere ainda que existirão cortes em outros “custos fixos”.

À TSF, Carmo Rodeia, assinalou que a instituição "garante que a redução dos postos de trabalho será a menor possível para que nunca comprometa aquela que é a missão do Santuário: acolher bem os peregrinos que vão a Fátima".

"O Santuário de Fátima, com este plano de reestruturação, pretende sobretudo preservar a sua sustentabilidade, sem beliscar aquela que é a sua principal missão, que é o acolhimento dos peregrinos. Desde o início da pandemia que procurámos, a todo o custo, manter todos os postos de trabalho e tudo continuaremos a fazer para que seja afetado o menor número de trabalhadores", continuou.

“É mentira, é apenas um pretexto"

Já Helena Cardinali, do Sindicato de Hotelaria do Centro, acusou o Santuário de estar a pressionar os trabalhadores, e pôs em causa o número de trabalhadores em risco de despedimento avançado pela porta-voz do espaço.

"Não acredito que sejam os trabalhadores que estão há 20 e 30 anos no Santuário. Teriam de pagar uma indemnização muito grande. Estão a mandar para fora os trabalhadores com apenas dois e quatro anos de casa", frisou.

A dirigente sindical acrescentou que “são trabalhadores da hotelaria, porque a igreja também tem hotéis. Os empregados de mesa, cozinheiros, ou seja, todas as áreas que englobam o Santuário vão ser afetadas".

Helena Cardinali referiu ainda que estão a manter os funcionários mais velhos, na medida em que estes passarão para a reforma: "É dinheiro que entra no Santuário. Estão a mandar trabalhadores embora, alegando que são efeitos da Covid. É mentira, é apenas um pretexto", vincou.