A proibição da interrupção do fornecimento de eletricidade, de gás natural e de gases de petróleo liquefeito, que tinha sido prorrogada até 30 de setembro, terminou na passada quinta-feira. Atualmente, as empresas podem cortar o fornecimento de energia a todos os clientes que não saldem as suas dívidas, inclusive àqueles que se encontram em situação de desemprego, quebra de rendimentos do agregado familiar igual ou superior a 20% ou infeção por covid-19.
De acordo com o relatório da ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos “Especial Covid-19 – Impactos setoriais – eletricidade e gás natural”, no primeiro trimestre de 2020, foram realizados 94 mil cortes de energia. A ERSE calcula que cerca de 9,2 mil interrupções acabaram por não ser efetuadas nos primeiros três meses do ano devido à pandemia e à consequente quarentena a que os portugueses e portuguesas se viram sujeitos a partir de meados de março.
Já no que respeita à redução dos valores de potência contratada para os clientes confrontados com uma quebra da atividade económica, “até ao final de junho tinham sido apresentados 4.321 pedidos de redução de potência contratada, 1.965 dos quais por clientes em baixa tensão normal”.
Até maio, mais de 15.000 famílias, 2.000 pequenos negócios e cerca de 300 empresas tinham recorrido aos planos flexíveis de pagamento lançados pela EDP Comercial, segundo avançou a presidente executiva da empresa, Vera Pinto Pereira, em declarações à agência Lusa.
Existem cada vez mais pessoas a pedir ajuda para pagar contas de água e luz
O presidente da Cáritas tem vindo a alertar para o agravamento do drama social em Portugal, que fez com que disparassem os pedidos de ajuda.
Em declarações ao Jornal de Notícias, Eugénio Fonseca frisou que a situação na Cáritas é crítica: "Apoiamos metade dos que precisam do nosso apoio. No segundo trimestre, estávamos a atender 21.410 pessoas, mas, em termos de procura, ronda as 48 mil", explicou, adiantando que estão a reencaminhar pessoas para outras entidades “por falta de capacidade".
Segundo o responsável da Cáritas, existem cada vez mais pessoas, em situação de desemprego, em regime de lay-off ou imigrantes, a pedir ajuda monetária para pagar a renda da casa ou contas de água e luz.
Bloco recomendou ao Governo prorrogação da suspensão dos cortes
Na semana passada, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda apresentou uma proposta que visa a prorrogação dos prazos das medidas de apoio aos agregados familiares no acesso a determinados bens essenciais.
No documento, os bloquistas sublinham que, desde a entrada em vigor destas medidas, “constatou-se um assinalável agravamento da crise económica, marcado pelo aumento do desemprego e pela quebra de rendimento em amplos setores sociais”.
Neste contexto, o Bloco defende que o Governo deve prorrogar até final do mês de dezembro a proibição da interrupção do fornecimento, de modo a salvaguardar os consumos de bens essenciais e proteger os agregados mais vulneráveis economicamente.