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Quem é Ted Cruz, o conservador que derrotou Donald Trump no Iowa

O senador do Texas tem apoio do Tea Party, é contra o controlo de armas, o casamento gay e o aborto, e diz não haver “evidências científicas conclusivas” sobre alterações climáticas. Artigo de Revista Fórum.
Foto de Michael Reynolds/Lusa

Contrariando as sondagens, o senador do Texas Ted Cruz derrotou o empresário Donald Trump no Iowa, numa votação realizada a 1 de fevereiro. Com 28% dos votos, vai levar oito delegados para a convenção que vai decidir o candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, um delegado a mais que o segundo colocado, Trump. O terceiro colocado, Marco Rubio, também sai do estado com sete delegados.

Ted Cruz nasceu em Calgary, no Canadá, e é filho de uma programadora de computador, Eleanor Cruz, e de um cubano refugiado, Ted Cruz, hoje um pastor cristão em Dallas. É formado em Direito e foi representante legal da National Rifle Association, tendo defendido o impeachment do então presidente Bill Clinton nos anos 1990. Auxiliou legalmente o então candidato George W. Bush em 1999 no caso da recontagem de votos da Flórida e, mais tarde, atuou em prol do lobby das armas. Em 2008, voltou à advocacia privada, defendendo empresas como a Pfizer, B Braun Medical Inc e Toyota.

Foi eleito senador pelo estado do Texas em 2012, aproveitando a onda do Tea Party e contando com o apoio de Sarah Palin e de outros ícones da direita. Desde que chegou ao Senado, em 2013, fez discursos duros e inflamados, e chegou a chamar Mitch McConnell, líder republicano, de “mentiroso”, em evidente quebra do decoro parlamentar. Por esse e outros motivos acabou sem aliados no Senado, facto que justifica por se posicionar contra aquilo a que chama “cartel de Washington”. Nesse período, no entanto, seu principal alvo foi o presidente do país, Barack Obama, acusado pelo parlamentar de ser o “principal financiador mundial do terrorismo islâmico radical”.

A sua pretensão de ser candidato à presidência não foi endossada por nenhum de seus colegas do Senado, mas conseguiu assegurar o apoio das alas evangélicas do seu partido e do Tea Party. Esse apoio e a vantagem de Donald Trump no cenário nacional praticamente o deixaram com a obrigação de vencer no Iowa, estado em que os evangélicos representam dois terços da população. E conseguiu. O triunfo dá-lhe gás para a disputa em New Hampshire, no dia 9 de fevereiro, apesar de o resultado também impulsionar Marco Rubio.

Contra o controle de armas, o casamento gay e o aborto

As posições de Cruz situam-no no espectro mais à direita de seu partido. Ele mantém-se fiel aos seus tempos de lobista da indústria do armamento, opondo-se a qualquer forma de controlo de armas. “Não se consegue reduzir os crimes violentos tirando o direito dos cidadãos e das suas famílias de se defenderem”, disse. O republicano também luta para evitar qualquer mudança relativa à pena de morte na Constituição do país e defende, no Supremo Tribunal dos Estados Unidos, que o Texas possa ignorar uma ordem do Tribunal Internacional de Justiça para rever sentenças de dezenas de cidadãos mexicanos que estão no corredor da morte.

Em relação ao aborto, Cruz diz ser “fortemente pró-vida” e quer reduzir o número de casos de abortos legais nos quais a gravidez põe em risco a vida da mãe. Também é contrário ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. “O casamento é um sacramento entre um homem e uma mulher, uma sociedade fortalecida por milénios, e precisamos de defender a verdade do casamento.”

Ted Cruz também nega as alterações climáticas, dizendo que “as provas científicas não são conclusivas a respeito do aquecimento global”, apoiando o uso e exploração de “toda energia disponível na nação”, o que inclui planos de fracking. Também se opõe à legislação que regula a emissão de gases de efeito estufa e o incentivo ao uso de energia renovável, por serem uma “ameaça” aos empregos dos norte americanos, sendo prejudiciais à economia, na sua visão.

Artigo publicado originalmente na Revista Fórum, a 2 de fevereiro de 2016.

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