Em fevereiro de 2020, uma patrulha do SEPNA, a unidade da GNR dedicada aos crimes ambientais descobriu vários cães a vaguear nas redondezas da herdade do cavaleiro tauromáquico João Moura em Monforte. Depois de uma investigação, este foi constituído arguido pelo crime de maus-tratos aos cães que criava, vendia e usava em corridas. 18 galgos foram-lhe apreendidos por apresentarem sinais extremos de subnutrição e desidratação. Uma cadela teve de eutanasiada e os restantes animais ficaram a cargo de associações e foram em seguida adotados.
O Expresso noticia esta quinta-feira que, depois de João Moura ter sido ouvido e ter optado pelo silêncio, o processo ficou parado. As associações de direitos dos animais que se constituíram como assistentes, a Associação Animal, a Empty Cages e a Direito Animal, foram requerendo entretanto diversas diligências, nomeadamente a realização de perícias aos animais. Sem sucesso.
O cavaleiro tauromáquico é acusado de ter abandonado os animais à sua sorte depois de ter declarado insolvência e de ter vendido a herdade de 15 mil hectares ao BCP. Devia um total de 720 mil euros ao BCP, Fazenda Nacional e Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Estremoz. Isto para além de constar na lista dos grandes devedores das Finanças no escalão entre 25 e 50 mil euros.
Se o processo-crime não avançou, o que avançou foi uma tourada marcada para 26 de agosto no Campo Pequeno. A marca proprietária desta praça de touros, a Ovação & Palmas, de Luís Miguel Pombeiro, chamou “homenagem mundial” a este “espetáculo” onde participarão também dois dos seus filhos. A ideia de homenagear alguém que está a ser investigado por maus-tratos a animais não caiu bem e nas redes sociais somam-se as críticas à organização do evento.