You are here

Preços das telecomunicações subiram em Portugal e desceram na União Europeia

Na última década, os preços subiram 6,5% em Portugal e desceram 10,8% na UE. Bloco quer saber se o Governo "vai exigir às operadoras a inversão" do aumento de preços e da perda de qualidade do serviço prestado.
Fotografia de miniyo73/Flickr
Fotografia de miniyo73/Flickr

De acordo com os dados divulgados esta terça-feira pela Anacom, os preços das telecomunicações, entre o fim de 2009 e dezembro de 2020, subiram em Portugal 6,5%, enquanto  desciam em média 10,8% no conjunto dos países da União Europeia (UE) no mesmo período.

Segundo a Anacom, citada pelo Eco, “uma análise comparativa mais fina a alguns países próximos permite constatar que um padrão de divergência de preços se terá instalado a partir de 2011-2012”. Havendo descidas dos preços em Espanha, Itália e França de, respetivamente, 9,4%, 16,9% e 24,3% na última década.

Pelo contrário, em Portugal os preços sobem e o regulador assinala que essa subida se deve às atualizações dos preços feitos pelas operadoras, no início de cada ano. Há mesmo anos em que essas subidas acontecem duas vezes.

O Eco exemplifica com o caso da MEO este mês, em que a inflação foi nula mas a operadora decidiu um aumento mínimo de 50 cêntimos.

o preço por GB de dados móveis em Portugal é o quinto mais caro da UE

A Anacom aponta também que o preço por GB de dados móveis em Portugal é o quinto mais caro da UE. “Se se considerarem apenas os preços dos dados móveis, em 2020, Portugal era o quinto país da UE com o preço médio de 1 GB de dados móveis mais elevado, 45% acima da média, de acordo com o estudo Worldwide mobile data pricing 2020 desenvolvido pela Cable.co.uk. Com preços mais elevados do que Portugal apenas estão o Chipre, a Grécia, a República Checa e a Hungria”, refere o auditor.

A Anacom diz ainda que, em 2019, 18 países da UE tinham ofertas mais baratas do que a mais baixa em Portugal, que é cerca de 24% mais elevada que a média das semelhantes na UE.

Governo deve "exigir às operadoras a inversão deste aumento de preços”

Em pergunta ao Governo, através do Ministério das Infraestruturas e Habitação, o Bloco pergunta se o Governo está disponível “para exigir às operadoras a inversão” do aumento de preços.

Na pergunta, a deputada Isabel Pires lembra que o Bloco já tinha questionado o ministério sobre “o aumento de preços e redução da qualidade do serviço de telecomunicações durante a pandemia”. A deputada salienta ainda que, neste momento, “as empresas e as famílias estão em grande dificuldade como resultado da crise económica e social provocada pela Covid-19”, com “aumento do desemprego” e “queda abrupta dos rendimentos”, e que as telecomunicações são essenciais quotidianamente, pelo que “esta tendência dos preços prejudica (...) milhões de utilizadores”.

No documento recorda-se ainda que, em 2019 a NOS lucrou 143,5 milhões de euros, “a Vodafone distribuiu 75,2 milhões de euros à casa mãe, não tendo revelado os lucros, bem como a MEO, que, no segundo semestre de 2019, registou receitas de 522 milhões de euros”.

Por fim, face à “centralidade das telecomunicações”, o Bloco considera “evidente a necessidade de criar um operador público capaz de responder às necessidades das populações”.

“É, por isso, fundamental terminar com esta chantagem e resgatar para o Estado a rede básica capturada pela Altice, conforme este grupo parlamentar defendeu em agosto [passado], conclui o documento.

Termos relacionados Política
(...)