Poupanças a pensar no défice" só agravam a crise e a desigualdade

11 de February 2021 - 15:47
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Moisés Ferreira. Foto Tiago Petinga/Lusa (arquivo)
Moisés Ferreira. Foto Tiago Petinga/Lusa (arquivo)

No debate do relatório do estado de emergência, realizado esta quinta-feira na Assembleia da República, o deputado do Bloco de Esquerda Moisés Ferreira afirmou que o Governo está a aumentar a desigualdade, cada vez que recusa um euro aos apoios sociais ou nas ajudas à economia.

O deputado bloquista denunciou que o Governo deixou por executar 7 mil milhões de euros no ano passado, que Portugal é o terceiro país da zona euro que menos ganha no combate à crise, e que é dos países da OCDE que menos despesas adicionais fez para reforçar a resposta na saúde.

Moisés Ferreira lembrou que a tarifa social da internet “deve ser lá para o verão” e que quem fica com os filhos perde um terço do salário. “ E o Governo recusa-se a rever esta situação, impondo uma perda de rendimento”, acusou.

Intervenção na íntegra de Moisés Ferreira no debate do estado de emergência

Vamos a caminho dos 12 meses de pandemia. Estamos a atravessar uma terceira vaga duríssima e vivemos um segundo confinamento.

Durante todo este tempo agravaram-se as desigualdades, cresceu o desemprego e cresceu a pobreza. A crise social não vem a caminho, ela já cá está, e há muito.

Cada euro que o Governo recusa utilizar em apoios sociais ou em ajuda à economia é mais desigualdade que está a criar. Cada euro que o Governo regateia e poupa a pensar no défice é mais um euro a aprofundar a pobreza e o desemprego.

Já debatemos vários destes relatórios. Em nenhum deles o Governo explica – nesta também não o faz – o porquê de se recusar a utilizar todos os meios disponíveis para combater a crise social e apoiar as vítimas da pandemia? Por que está a agravar as desigualdades ao tentar poupar uns euros ao défice?

• Em 2020 deixou por executar 7000M€. Não havia investimento a fazer no SNS ou nas escolas? Não havia trabalhadores a necessitar de apoio? Não havia quem precisasse de ajuda para pagar a renda ou as contas do dia a dia?

• Portugal é o 3.º país da zona euro que menos gasta no combate à crise. Quem vive no país não está a atravessar uma crise igual ou pior à que existe noutros países?

• A tarifa social da internet, afinal, deve ser lá para o verão. A do gás de botija, era para sempre, mas já não vai ser nada. E as famílias pobres continuam sem internet para que os seus filhos possam ter aulas à distância e continuam sem condições para aquecer as suas habitações.

• Quem fica em casa com os filhos perde 1/3 do salário. E o Governo recusa-se a alterar esta situação, impondo uma perda de rendimento. Crise em cima de crise, é isso que o Governo pretende?

A crise está aí. E quem não a combate, agrava-a. A falta de medidas do Governo só tem vindo a agravar a crise e a desigualdade social neste país.

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