À margem de uma visita à associação de pescadores de Vila Praia de Âncora, a coordenadora do Bloco de Esquerda frisou que “Portugal deve impor mecanismos para controlar o preço dos combustíveis”. Para Catarina Martins, “não se percebe por que razão o preço dos combustíveis tem de subir agora”.
A dirigente bloquista lembrou que, quando o petróleo desceu, as gasolineiras alegaram que não podiam descer o preço do combustível porque já tinham comprado o petróleo antes a um preço mais alto.
“Ora, agora que o preço acaba de subir já têm de ter esse preço mais alto para os consumidores? Por que é que quando há uma flutuação para cima no mercado os preços dos combustíveis sobem imediatamente, mas quando há uma flutuação para baixo no mercado os preços não descem?”, questionou Catarina Martins
“Há, de facto, uma situação de cartel em Portugal com o preço dos combustíveis que leva a que os consumidores paguem sempre mais”, avançou.
O Bloco já propôs no passado e volta agora a reafirmar “que é preciso haver regras de fixação de preços, porque não é possível justificar tudo o que está a acontecer em Portugal no que respeita ao preço dos combustíveis com as flutuações do mercado”.
A coordenadora do Bloco vincou que “há um aproveitamento claro que tem de ser combatido”, sendo que “isso faz-se com a fixação de preços”.
“Face ao aumento do preço dos combustíveis, o governo tem também margem para descer o ISP [Imposto sobre Produtos Petrolíferos]. E deve fazê-lo, porque, com o aumento dos combustíveis, a receita fiscal continuará a aumentar mesmo que o Governo desça o ISP”, explicou.
De acordo com Catarina Martins, “são precisas medidas destes dois tipos: fixação de preços, porque claramente há uma cartelização nos combustíveis que está a fazer um assalto aos consumidores, mas também uma adequação do ISP à alta do preço que se está a viver neste momento”.
“É preciso alterar a nossa forma de mobilidade, precisamos de transportes coletivos muito melhores e em todo o país. São necessárias medidas estruturais. Mas, para além das medidas estruturais, as medidas que, neste momento, podiam ser eficazes são a fixação de preços e a baixa de ISP. E o Governo não faz nem uma, nem outra”, referiu a dirigente bloquista.
Catarina Martins considera inaceitável que as margens de lucro das petrolíferas estejam sempre a aumentar e os consumidores sejam confrontados com preços cada vez mais elevados.