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Poluição causada pelos suinicultores no Rio Lis motiva protesto

A iniciativa, promovida pelo Bloco, Comissão de Defesa do Ambiente da Ribeira dos Milagres e GEOTA, teve lugar junto ao local onde decorria a Gala Porco D'Ouro, com o patrocínio da Câmara Municipal de Leiria e a participação de muitas empresas de suinicultura que lucram com a destruição ambiental que provocam.

A 1ª Gala do Porco d’Ouro, promovida pelo Federação das Associações dos Suinicultores de Portugal, contou com a presença do ministro Capoulas Santos, que tinha à sua espera um grupo de manifestantes com uma faixa onde se lia “O nosso ouro é o ambiente”.

Num comunicado distribuído durante a ação de protesto, o Bloco de Esquerda, a Comissão de Defesa do Ambiente da Ribeira dos Milagres e o GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente assinalam o seu “descontentamento pelo desrespeito e dano ambiental causado pela atividade suinícola, que diariamente contamina as águas do rio Lis”.

 “Não aceitamos que continuem impunemente a poluir as linhas de água da região e do país, a contaminar recursos hídricos e a destruir biodiversidade”, sublinham, exigindo “a construção de Estações de Tratamento de Efluentes Suinícolas em dimensão apropriada à realidade da suinicultura da região, que se responsabilizem os infratores, que se mobilizem as entidades públicas e que, efetivamente, se acabem com as descargas ilegais e danosas para o ambiente e para a sociedade”.

 Destacando que “o nosso ouro são os recursos naturais e o ambiente”, as três entidades apelam “à cidadania, à actuação imediata e ambientalmente responsável das empresas de suinicultura, ao protesto e à denuncia pública e às autoridades (GNR/SEPNA) de todas as descargas detetadas”.

 “As águas do Lis não se tratam com Porcos D'Ouro”

 Em declarações ao Jornal de Leiria, o deputado do Bloco de Esquerda Heitor de Sousa afirmou que a gala visa promover uma atividade que tem “destruído ambientalmente a Bacia Hidrográfica do rio Lis”.

“Este evento é uma tentativa de escamotear o impacto ambiental negativo que as atividades suinícolas provocam neste território. Queremos chamar a atenção que esta atividade selvagem não pode continuar impunemente sem que as autoridades intervenham no sentido de obrigar as atividades económicas como esta a respeitar a legislação ambiental em vigor”, destacou.

Os bloquistas emitiram entretanto um comunicado de imprensa no qual avançam que o Bloco “exige responsabilidade ambiental aos empresários da suinicultura e repudia o patrocínio da Câmara Municipal de Leiria em ações de marketing a empresas poluidoras”.

 No documento, recordam que “a suinicultura é a principal atividade responsável pela poluição do Rio Lis e de toda a sua bacia hidrográfica – um dos maiores problemas ambientais que o distrito de Leiria enfrenta – e que neste evento participarão alguns dos principais responsáveis pelas descargas ilegais de resíduos suinícolas em linhas de água”.

 “É urgente travar a poluição dos rios Lis, Arunca, Alcoa e Nabão, garantir as boas práticas agrícolas e a proteção e recuperação dos recursos naturais que hoje apresentam níveis de contaminação e degradação elevados”, defendem, destacando que “a construção de Estações de Tratamento de Efluentes Suinícolas, de gestão pública, com capacidade de carga adequada à realidade da região, é uma medida urgente e pela qual não podemos esperar mais”.

 “Já lá vão décadas de promessas por concretizar, projetos por realizar e milhões de euros de apoios comunitários em parte incerta”, lamenta o Bloco de Esquerda.

 Para os bloquistas, “não devem ser os contribuintes Leirienses a patrocinar as ações de marketing do tecido empresarial suinícola”.

 “Estas empresas têm de responder às suas responsabilidades e não podem continuar a desrespeitar e a lesar o ambiente e todos os cidadãos portugueses, em especial no distrito de Leiria, onde esta atividade assume elevada importância”, lê-se no documento.

 O Bloco assinala ainda que “uma atividade económica que não respeita políticas de sustentabilidade ambiental é uma atividade que hipoteca o nosso futuro comum” e reafirma “a necessidade de desenvolver uma política de certificação ambiental da atividade suinícola, que garanta a compatibilização da atividade produtiva com a preservação dos recursos naturais”.

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