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"Plano Ferroviário é a arma mais poderosa que temos para combater as alterações climáticas"

Realizou-se esta segunda-feira um Encontro entre o Bloco de Esquerda e o Bloco Nacionalista Galego, no qual foi assinada uma “Carta do Porto” que aponta como lutas comuns as “infraestruturas, trabalho e cultura para unir os dois povos”.
Encontro Bloco de Esquerda/BNG - Foto de Pedro Faria
Encontro Bloco de Esquerda/BNG - Foto de Pedro Faria

No Encontro entre o Bloco de Esquerda e o Bloco Nacionalista Galego (BNG) estiveram em debate três pontos: infraestruturas e investimentos para unir os dois povos, a mobilidade transfronteiriça e o desenvolvimento de laços culturais e linguísticos. E foi aprovado um documento onde Bloco e BNG se comprometem a “continuar a coordenar iniciativas políticas e examinar as possibilidades de solucionar os problemas comuns e a contribuir para a sua resolução, através de propostas em diferentes eixos, com prioridade para os investimentos nas infraestruturas de comunicação entre Galiza e norte de Portugal, a resposta às consequências da pandemia para as trabalhadoras e trabalhadores dos dois Povos e as iniciativas culturais”.

Carta do Porto - declaração conjunta do Bloco de Esquerda e do BNG

Plano ferroviário nacional para combater as alterações climáticas

Na sua intervenção, Catarina Martins lembrou a necessidade do Plano Ferroviário Nacional. “Precisamos de um plano ferroviário nacional, em que o eixo atlântico, que foi anunciado pelo Governo como prioridade, seja verdadeiramente prioridade”, afirmou a coordenadora bloquista.

Encontro Bloco de Esquerda - BNG - Foto de Pedro Faria
Encontro Bloco de Esquerda - BNG - Foto de Pedro Faria

“O Plano Ferroviário Nacional não pode ser um projeto de intenções. Tem de ser um investimento muito concreto, é a arma mais poderosa que temos para combater as alterações climáticas e tem também de ser um instrumento para a coesão territorial” afirmou, defendendo as ligações de Alta Velocidade, “que nos vão permitir no futuro dispensar muitas das viagens aéreas entre cidades”. “Precisamos também das ligações que servem populações, que todas as capitais de distrito de Portugal tenham comboio, que as várias populações possam ser servidas por comboio e que as ligações transfronteiriças ao longo de toda a fronteira portuguesa possam ter também ferrovia, porque esta é uma forma de combater a desertificação do território e de termos coesão territorial”, salientou Catarina Martins.

E alertou: “Olhamos com muita preocupação para o que o Governo está a preparar do ponto de vista dos investimentos no Programa de Resiliência e Recuperação porque, na verdade, quando olhamos para os vários instrumentos de investimento que existem, sem prejuízo de existirem nós rodoviários que tem de ser desenvolvidos, o que vemos é que no fim de todo o investimento a rodovia continua a crescer e a ferrovia continua a ficar para trás”.

Aliança estratégica entre Galiza e Portugal

Pelo Bloco Nacionalista Galego, Ana Pontón começou por afirmar que “neste segundo encontro com o Bloco de Esquerda queremos simbolizar uma aliança estratégica entre Galiza e Portugal”.

Encontro Bloco de Esquerda - BNG - Foto de Pedro Faria
Encontro Bloco de Esquerda - BNG - Foto de Pedro Faria

“Desta cimeira vai sair uma Carta do Porto, queremos impulsionar as relações entre Portugal e a Galiza" em áreas como a das infraestruturas, "melhorando a nossa mobilidade ferroviária, apostando nesse eixo que deve comunicar Vigo com Porto, fazendo uma aposta no comboio de mercadorias nesse eixo atlântico, chave para poder ligar aos maiores portos da Europa". Ao mesmo tempo, "dar uma alternativa que permita pôr em marcha uma infraestrutura estratégica que ligue desde Ferrol a Sines, que nos permita fazer frente aos eixos que estão muitas vezes mais guiados pelo centralismo, do que pelo interesse comum”, salientou Ana Pontón.

A dirigente do BNG apontou também os dois pontos debatidos no encontro, para além das infraestruturas e da ferrovia, a mobilidade transfronteiriça e o desenvolvimento das questões culturais e linguísticas, defendendo que “o desenvolvimento da Lei Paz Andrade tem de significar uma aposta estratégica para uma maior ligação e para aproveitar estes laços culturais e linguísticos e também para um maior desenvolvimento económico”.

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