Parlamento europeu defende mais sanções à Rússia e apoio a refugiados

01 de March 2022 - 16:05

O grupo parlamentar da Esquerda subscreveu a resolução. Bloco votou contra pontos que recomendam reforço da NATO e corrida ao armamento.

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Marisa Matias e José Gusmão no Parlamento Europeu.
Marisa Matias e José Gusmão no Parlamento Europeu.

Declaração de voto dos deputados do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

Resolução sobre a Agressão da Rússia contra a Ucrânia

O Bloco votou contra os pontos 21, 22, 25 e 27 da resolução porque se opõe e oporá à tentativa da direita de aproveitar a justa indignação com esta guerra para lançar uma corrida ao armamento e uma escalada militar numa região de enorme sensibilidade, com consequências imprevisíveis.

Opusemo-nos e opor-nos-emos a que esta guerra seja usada como pretexto para um alargamento da NATO, uma organização que nunca serviu a paz e é historicamente responsável por inúmeras ocupações, conflitos armados e manobras de desestabilização, no Iraque, na Jugoslávia, no Afeganistão, entre muitos outros. Por essa razão, votámos contra todos os artigos que visam esse alargamento, bem como contra a censura de órgãos de comunicação social russos.

Votámos a favor da resolução no seu conjunto, apesar das divergências manifestadas, porque o seu núcleo fundamental garante um quadro de ações e sanções que enfraquecem a capacidade económica da Rússia para prosseguir a invasão da Ucrânia. Esse quadro inclui a proposta do Bloco de revogação de vistos gold. Garante o princípio de acolhimento de todos os refugiados desta guerra, que lutaremos para ver estendido a todos os refugiados. Posiciona-se claramente contra esta invasão e a favor do seu fim imediato, em nome de uma solução diplomática pacífica e duradoura, com papel ativo da ONU e OSCE.

O grupo da Esquerda fez ainda aprovar várias emendas importantes, nomeadamente sobre a centralidade da Organização das Nações Unidas e da Organização de Segurança e Cooperação Europeia na condução das negociações, sobre a importância de manter os canais diplomáticos abertos, sobre a necessidade de combater a discriminação de pessoas racializadas que fogem da guerra, sobre a necessidade de apoiar as pessoas que mais irão sofrer com a situação e as sanções económicas aprovadas e, finalmente, a importância do apoio aos movimentos contra a guerra.