Anualmente, a Sociedade Meteorológica Americana revê a situação climática global a partir dos contributos de cerca de 530 cientistas em mais de 60 países. E o relatório sobre 2020, agora publicado e citado pela Lusa, revela que a desaceleração económica provocada pela pandemia não teve o efeito de retroceder o nível de gases com efeito de estufa concentrados na atmosfera. Este foi o mais elevado alguma vez registado, com 412.5 partes por milhão (ppm), face às 410 ppm registadas em 2019. O mesmo aconteceu com a concentração de metano na atmosfera, que teve a maior subida desde o início das medições.
Released today: New #BulletinAMS State of the Climate report is the 31st annual accounting of all the ways scientists track climate, worldwide & regionally, showing global warming in multiple ways. Download it at https://t.co/VEsOPrIRGN. #SOTC2020 #StateofClimate pic.twitter.com/ssBN3pKf8T
— American Meteorological Society (@ametsoc) August 25, 2021
O nível do mar continuou a subir pelo nono ano consecutivo, atingindo assim novo recorde, com a média a subir 9.13 centímetros desde 1993, quando começaram os registos via satélite.
As temperaturas globais seguem a mesma tendência de subida, com os últimos sete anos a registarem as maiores temperaturas desde que há registos. 2020 entrou no grupo dos três anos mais quentes, apenas abaixo dos anos em que ocorreu o fenómeno El Niño, que altera as temperaturas da água no Pacífico.
Mas no caso da Europa, 2020 foi mesmo o ano mais quente, tal como no Japão, México e Rússia. Nos Estados Unidos, 2020 ficou na quinta posição em termos de temperatura.
Os meteorólogos apontam ainda a ocorrência no ano passado de fenómenos de calor extremo sem precedentes nos pólos Norte e Sul e de mais ciclones e tempestades tropicais do que a média das últimas quatro décadas.
Outro fenómeno observado foi o da absorção de CO2 pelos oceanos, que ficou 30% acima da média dos últimos 20 anos. “Mais dióxido de carbono armazenado no oceano significa que menos permanece na atmosfera, mas também leva ao aumento da acidificação das águas, o que pode prejudicar muito ou alterar os ecossistemas”, alerta o relatório.