Pandemia não evitou recorde na concentração de gases com efeito de estufa em 2020

27 de August 2021 - 10:18

Entre os indicadores climáticos com os valores mais altos de sempre no ano passado estão também as temperaturas em muitos países e a subida do nível do mar, revela o relatório anual da Sociedade Meteorológica Americana.

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árvores e céu
Foto C. Emmel, UBC Geography - Flickr

Anualmente, a Sociedade Meteorológica Americana revê a situação climática global a partir dos contributos de cerca de 530 cientistas em mais de 60 países. E o relatório sobre 2020, agora publicado e citado pela Lusa, revela que a desaceleração económica provocada pela pandemia não teve o efeito de retroceder o nível de gases com efeito de estufa concentrados na atmosfera. Este foi o mais elevado alguma vez registado, com 412.5 partes por milhão (ppm), face às 410 ppm registadas em 2019. O mesmo aconteceu com a concentração de metano na atmosfera, que teve a maior subida desde o início das medições.

O nível do mar continuou a subir pelo nono ano consecutivo, atingindo assim novo recorde, com a média a subir 9.13 centímetros desde 1993, quando começaram os registos via satélite.

As temperaturas globais seguem a mesma tendência de subida, com os últimos sete anos a registarem as maiores temperaturas desde que há registos. 2020 entrou no grupo dos três anos mais quentes, apenas abaixo dos anos em que ocorreu o fenómeno El Niño, que altera as temperaturas da água no Pacífico.

Mas no caso da Europa, 2020 foi mesmo o ano mais quente, tal como no Japão, México e Rússia. Nos Estados Unidos, 2020 ficou na quinta posição em termos de temperatura.

Os meteorólogos apontam ainda a ocorrência no ano passado de fenómenos de calor extremo sem precedentes nos pólos Norte e Sul e de mais ciclones e tempestades tropicais do que a média das últimas quatro décadas.

Outro fenómeno observado foi o da absorção de CO2 pelos oceanos, que ficou 30% acima da média dos últimos 20 anos. “Mais dióxido de carbono armazenado no oceano significa que menos permanece na atmosfera, mas também leva ao aumento da acidificação das águas, o que pode prejudicar muito ou alterar os ecossistemas”, alerta o relatório.