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Temperaturas de junho “bateram tantos recordes que é difícil acompanhar”

A Organização Meteorológica Mundial aponta o efeito da ação humana na atual crise climática. No Canadá, mais de 180 incêndios florestais na Colúmbia Britânica acompanham a vaga de calor que está a entupir as urgências na província vizinha de Alberta.
Imagem divulgada pela NASA de um dos incêndios florestais na Colúmbia Britânica.
Imagem divulgada pela NASA de um dos incêndios florestais na Colúmbia Britânica.

Os recordes de temperaturas atingidos nas últimas semanas não se limitam à costa do Pacífico. A cidade de Moscovo atingiu o valor máximo de sempre para o mês de junho no passado dia 23, com 34.8ºC. “Bateram-se tantos recordes que é difícil acompanhar”, diz a Organização Mundial de Meteorologia no comunicado sobre as vagas de calor em junho. Além dos 43 recordes na Columbia Britânica, a cidade norte-americana de Las Vegas é outro exemplo, com 47.2ºC, a par de Seattle, com 41.7ºC, e Portland, com 44.4ºC.

"As vagas de calor estão a tornar-se mais frequentes e intensas à medida que as concentrações de gases com efeito de estufa levam a um aumento das temperaturas globais. Também estamos a notar que estão a começar mais cedo e a terminar mais tarde e estão a ter um impacto crescente na saúde humana", disse Omar Baddour, Chefe da Divisão de Monitorização Climática e Política da OMM.

Para o cientista climático britânico Nikos Christidis, “uma análise de muitos modelos informáticos indica que até ao final do século estas temperaturas extremas são mais prováveis do que o contrário. Estima-se que a influência humana tenha aumentado a probabilidade de um novo recorde vários milhares de vezes". Este especialista que trabalha para o serviço meteorológico do Reino Unido acrescenta que “sem as alterações climáticas induzidas por ação humana, seria quase impossível atingir estas médias recorde de temperatura em junho no oeste dos EUA, já que as hipóteses de ocorrência natural são de uma em cada período de dezenas de milhares de anos”. Os registos atuais mostram que agora ocorrem duas vezes em cada três décadas.

As temperaturas recorde de junho também foram assinaladas pela ativista Greta Thunberg nas redes sociais. “Junho de 2021 foi o Junho mais quente jamais registado na minha cidade natal, Estocolmo, por uma grande margem. O segundo Junho mais quente foi em 2020. O terceiro, em 2019. Será que estou a notar um padrão aqui? Não, provavelmente é apenas mais uma coincidência”, ironizou a jovem que tem alertado nos últimos anos para a necessidade de os políticos agirem para travar as alterações climáticas.

Incêndios florestais acompanham vaga de calor no Canadá

A vaga de calor no oeste do Canadá e Estados Unidos provocou centenas de mortes na semana passada. As autoridades canadianas combatem agora mais de 180 incêndios florestais causados sobretudo por relâmpagos, que já destruíram a pequena vila de Lytton, com dois mortos confirmados, após ali ser registada a temeratura recorde de 49.6ºC.

Entre 25 de junho e 1 de julho, os serviços de saúde da Colúmbia Britânica registaram 1.719 óbitos, o triplo dos números habituais para o mesmo período. Lisa Lapointe, a chefe da associação de médicos legistas da província, disse à NPR que boa parte das 486 mortes consideradas “súbitas e inesperadas” estão relacionadas com os efeitos das altas temperaturas que assolam a região.

Na província vizinha de Alberta, os serviços de emergência alertam para a procura elevada a que têm de dar resposta nas duas maiores cidades, Edmonton e Calgary. “As necessidades de cuidados e a sua complexidade dos doentes que estão a entrar são as mais elevadas a que assistimos desde o início da pandemia”, disse o enfermeiro e professor na Universidade de Alberta, Matthew Douma, ao portal canadiano Global News. E acrescentou que a resiliência dos trabalhadores da saúde chegou aos níveis mínimos alguma vez vistos.

Também a presidente do sindicato dos enfermeiros da província se queixou da falta de profissionais, havendo hospitais a funcionar com metade dos enfermeiros que deviam estar no quadro. Este domingo, os tempos de espera superavam as três horas em vários hospitais de Edmonton e Calgary.

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