Os dados mais recentes da Pordata revelam que a pobreza aumentou em Portugal face à subida generalizada dos preços.
Os trabalhadores que recebem o salário mínimo nacional (€705 mensais) viram o seu rendimento real baixar para €639, tendo em conta o peso da inflação, que, em setembro, atingiu os 9,3% em termos homólogos. De igual modo, os pensionistas que recebem a pensão mínima (€278,05 mensais) viram o seu poder de compra reduzir-se para €252.
Portugal regista pior agravamento nas condições de vida das famílias a nível europeu
Num contexto em que os preços estão a subir na maioria das áreas da nossa vida, da eletricidade e do gás aos combustíveis, passando pelos bens alimentares ou pelas rendas e prestações do crédito à habitação, o poder de compra só seria mantido se os salários e as pensões acompanhassem estes aumentos. Como isso não tem acontecido, a maioria das pessoas tem perdido poder de compra: o mesmo rendimento passa a conseguir pagar um conjunto mais reduzido de bens e serviços.
Perto de 40% dos agregados familiares recebiam aproximadamente €833 mensais em 2021, de acordo com a Pordata. Portugal era, no ano passado, o 8º país da União Europeia com maior percentagem de população em risco de pobreza ou exclusão social – um indicador que abrange não apenas as pessoas que vivem com menos de €554 mensais (limiar de pobreza), mas também as que se encontram em situação de privação material ou com vínculos frágeis no trabalho. Esta taxa fixou-se nos 22,4% em Portugal em 2021, acima da média europeia (21,7%).
Portugal continua no topo da UE na pobreza energética
No que diz respeito ao indicador de pobreza energética, que mede a percentagem da população incapaz de aquecer convenientemente a sua habitação, Portugal continua a estar no topo da Europa. A taxa de pobreza energética em 2021 foi de 16,4%, o 5º valor mais alto da UE.
A análise da Pordata, noticiada pelo Público, sublinha que Portugal “já vinha registando uma tendência preocupante no que diz respeito ao aumento da pobreza” e que 6 em cada 10 pessoas abaixo do limiar da pobreza não conseguem fazer face a despesas inesperadas, “o que coloca Portugal em 13.º lugar na UE 27 em 2021”.