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Pandemia causa mais desemprego entre quem tem salários mais baixos

A Organização Mundial do Trabalho indica que, na Europa, foi na Irlanda, Portugal e Espanha que mais aumentou a desigualdade.
Trabalhadoras de uma cooperativa em Moimenta da Beira. Foto de Paulete Matos.
Trabalhadoras de uma cooperativa em Moimenta da Beira. Foto de Paulete Matos.

A pandemia de Covid-19 atinge de maneira diferenciada os trabalhadores. Aqueles que auferem salários mais baixos têm sido os mais afetados com o desemprego. E Portugal é dos países em que este fenómeno é mais acentuado.

Segundo o inquérito ao emprego do terceiro trimestre do ano da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística, citado pelo Público, foram os trabalhadores de profissões com salários médios mais reduzidos que mais perderam o emprego durante a crise pandémica.

O INE publica dados de três em três meses, agrupados por onze categorias de profissões. Na dos “trabalhadores não qualificados”, cujo salário líquido é o mais baixo, 585 euros, o emprego caiu 11,4%. Um pouco acima na média de rendimentos, os “trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores”, que recebem um salário médio de 715 euros, viram o número de empregos descer 5,9%. E, no caso dos “operadores de instalações de máquinas e trabalhadores da montagem”, que têm um salário médio de 795 euros, houve uma diminuição de 8,5%.

A exceção à tendência, entre quem ganha menos, foi a categoria dos “agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, da pesca e da floresta” que aumentou o emprego em 6,8%.

Também se registaram aumentos, mas em categorias nas quais se ganha acima. Os “especialistas das atividades intelectuais e científicas”, que têm um salário médio de 1375 euros, assistiram a um aumento de emprego na área de 8%. Já os “técnicos e profissões de nível intermédio”, que ganham em média 1020 euros, tiveram um crescimento mínimo: 0,1%.

O mesmo jornal cita a economista Mónica Costa Dias, do Institute of Fiscal Studies, que acrescenta outro dado nesta equação: a queda nas horas de trabalho, em tempo de layoff, foi “também mais visível nas profissões com menores salários”.

O que se explica pela queda geral de empregos em setores como o turismo e a restauração que têm salários médios muito baixos. Mas também pelo facto dos trabalhadores em funções menos qualificadas não serem tão remetidos para teletrabalho como os outros.

Os dados do INE mostram que no terceiro trimestre de 2020, 39,5% dos “especialistas de atividades intelectuais e científicas” efetuaram as suas funções principalmente em casa. Ao passo que em categorias com rendimentos mais baixos, como é o caso dos “trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores”, dos “operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem” e dos “trabalhadores não qualificados” os números de trabalhadores em teletrabalho foram irrisórios.

O Público refere ainda, a este propósito, o relatório anual sobre salários da Organização Mundial do Trabalho, que faz uma análise comparativa desta desigualdade nos países europeus a partir do rácio entre os salários recebidos pelos 10% mais ricos e os 10% mais pobres. De acordo com este, entre o primeiro e o segundo trimestre do ano, em 29 países da Europa, “os países com o aumento estimado mais elevado na desigualdade são a Irlanda, Portugal e Espanha”.

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