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Países da OPEP+ chegam a acordo para travar queda dos preços do petróleo

Os maiores produtores mundiais de petróleo vão reduzir a produção diária de petróleo, pondo fim à guerra de preços dos últimos meses. Redução global da procura provocada pelas medidas de combate à Covid-19 também contribuiu para o desenlace.
Foto de Gines-V/Flickr

O acordo entre os países da OPEP+, já considerado histórico, prevê que serão produzidos menos 9,7 milhões de barris de petróleo por dia. No entanto, a base de cálculo para o corte é a da produção em outubro de 2018 e não a atual. Na prática, tendo em conta os níveis de produção de março de 2020, a redução será de cerca de 2.6 milhões de barris por dia, como aponta o geólogo norte-americano Arthur Berman.

O acordo põe fim à guerra de preços que tinha sido iniciada entre a Arábia Saudita e a Rússia e que quase provocou o colapso das negociações entre a aliança que foi estabelecida em 2016 em resposta ao “crash” do preço do petróleo.

Em resposta ao actual recuo da procura, e para manter a posição dominante no mercado, a Arábia Saudita decidiu aumentar a produção para níveis recorde, o que acabou por provocar uma quebra ainda mais acentuada do preço.

A procura global recuou cerca de 30% na sequência das medidas de emergência de resposta à pandemia. Alguns analistas entendem que a redução agora acordada não é suficiente, pois prevêem uma quebra da procura na ordem dos 19 milhões de barris por dia durante os meses de Abril e Maio. 

A OPEP+ apelou também aos demais produtores mundiais de petróleo que não fazem parte da aliança, como o Brasil, Canadá, Noruega e Estados Unidos da América, para reduzirem também a sua produção de modo a alcançarem todos juntos uma redução global de 20 milhões de barris por dia.

O México, parceiro da OPEP+, recusou quase até ao final o acordo que lhe impunha uma redução de 400 mil barris por dia, aceitando apenas 100 mil. O impasse acabaria por ser ultrapassado pela garantia dos EUA de eventual compensação da diferença. 

No caso dos Estados Unidos, as reduções voluntárias já começaram. Várias companhias já estão a eliminar milhares de postos de trabalho, a encerrar os poços mais antigos e a desmantelar os equipamentos de perfuração e extração.

Apesar do acordo, o preço do barril mantinha-se em média, nesta segunda-feira, nos 23 dólares, mas ainda assim acima das piores previsões, anteriores ao acordo, que estimavam que o valor pudesse descer a valores de um único dígito.

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