A CGTP reuniu na terça-feira o seu Conselho Nacional e no final do encontro o seu secretário-geral disse aos jornalistas que “vamos ter um grande 1º de Maio para exigir a retirada do pacote laboral”.
Para Tiago Oliveira, passados estes meses de “suposta discussão” do pacote laboral, “nada muda” em relação ao que o Governo chamou de “traves-mestras” da proposta que apresentou e foi aplaudida pelos patrões: o aumento e a normalização da precariedade; o banco de horas “com 150 horas de trabalho extraordinário não pago aos trabalhadores”; o outsourcing; a facilitação dos despedimentos; o ataque à greve e à liberdade sindical; o ataque aos direitos de paternidade e maternidade; e “a ilusão do pagamento em duodécimos do subsídio de Natal e de férias”.
Face a este pacote laboral, prosseguiu o sindicalista, cabe aos trabalhadores “continuar a construir este caminho de luta e de confronto”. A CGTP entende que a manifestação de 17 de abril “mostrou a disponibilidade do trabalhadores para a luta” e permitiu ao Conselho Nacional discutir a realização de uma nova greve geral.
Uma proposta subscrita por alguns membros deste órgão, na maioria associados à sensibilidade bloquista, defendeu que “faz todo o sentido que este Conselho Nacional discuta e assuma a necessidade de avançar para uma Greve Geral na primeira semana de junho, articulada com manifestações descentralizadas em várias cidades do país”, “que dê expressão à indignação acumulada” e que seja “uma afirmação de unidade”, à semelhança do que aconteceu na greve geral de dezembro.
O líder da CGTP criticou ainda a ausência de medidas por parte do Governo para travar o aumento do custo de vida decorrente da guerra dos EUA e Israel ao Irão e do bloqueio dos estreito de Ormuz. “O primeiro-ministro diz que o país e os trabalhadores estão melhores, mas olhamos para a realidade do mundo do trabalho e vemos que o país não está melhor nem os trabalhadores estão melhores”, afirmou, contrapondo que “a nossa vida está em completo retrocesso”, com os trabalhadores a serem os primeiros a sentir os efeitos do aumento do custo de vida, enquanto as petrolíferas e a grande distribuição vão somando lucros recorde.
“Como é possível não haver uma decisão política para travar isto?”, questionou Tiago Oliveira, referindo-se ao aumento do custo do cabaz alimentar, dos combustíveis e do preço das casas. E reclamar essa mudança política é mais uma razão para sair á rua no 1º de Maio para exigir uma “valorização salarial que permita uma justa distribuição da riqueza produzida”, concluiu.