ONU chocada com número de crianças mortas e mutiladas por forças israelitas

15 de July 2022 - 19:30

No relatório “Crianças e Conflitos Armados”, o secretário-geral da ONU, António Guterres, assinala que, em 2021, registaram-se 1.208 violações graves de direitos humanos contra crianças palestinianas. Forças israelitas mataram 78 menores palestinianos, mutilaram 982 e detiveram 637.

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Montecruz Foto, Creative Commons.

As Nações Unidas verificaram 2.934 violações graves contra 1.208 crianças palestinianas e 9 crianças israelitas (915 meninos, 302 meninas) na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, a Faixa de Gaza e Israel.

No relatório datado de 23 de junho é ainda referida a detenção de 637 crianças palestinianas por forças israelitas na Cisjordânia ocupada, incluindo 557 em Jerusalém Oriental. Entre essas crianças, 85 relataram maus-tratos e quebras de obrigações processuais por parte das forças israelitas durante a detenção, com 75 por cento a relatar ter sido alvo de violência física.

Um total de 88 crianças (86 palestinianas, 2 israelitas; 64 meninos, 24 meninas) foram mortas em Gaza (69), na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental (17) e em Israel (2), por forças israelitas (78), grupos armados palestinianos (8), agressores não identificados e resquícios explosivos de guerra (2). Todas as 17 crianças na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, foram mortas por forças israelitas com munição real, principalmente durante manifestações.

Um total de 1.128 crianças (1.121 palestinianas, 7 israelitas; 850 meninos, 278 meninas) foram mutilados em Gaza (661), na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental (464) e em Israel (3), por forças israelitas (982), colonos israelitas (28), grupos palestinianos armados (46), incluindo as Brigadas Al-Quds da Jihad Islâmica Palestiniana (18), agressores palestinianos (4) e agressores não identificados (68), inclusive por resíduos explosivos de guerra (10).

As principais causas de mutilação pelas forças israelitas foram bombardeamentos e ataques aéreos (539), inalação de gás lacrimogéneo (153), balas de metal revestidas de borracha (133) e munição (116). Das crianças mutiladas pelas forças israelitas na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, 196 foram mutiladas durante manifestações contra os colonatos ilegais.

As Nações Unidas verificaram 134 ataques a escolas (22) e hospitais (112) atribuídos às forças israelitas (128), às Brigadas Al-Quds da Jihad Islâmica Palestiniana (5) e Grupos armados palestinianos (1), em Gaza (72), Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental (61) e em Israel (1). Os incidentes envolveram ataques aéreos (67), ataques a pessoal médico (59), explosão de munições armazenadas nas proximidades de escolas e/ou hospitais (5), ameaças contra o pessoal da escola (2) e um ataque com foguetes (1). Foram também registadas 156 outras interferências na saúde (54) e educação (102) pelas forças israelitas (152) e colonos israelitas (4). A maioria das interferências envolveram forças israelitas, que dispararam contra unidades de saúde (4), contra ambulâncias e paramédicos (45), ou nas proximidades de escolas (27) ou negaram acesso nos postos de controlo a professores e alunos (45).

António Guterres afirma-se “alarmado com o aumento de graves violações contra crianças, particularmente o aumento dramático de assassinatos e mutilações, inclusive no contexto da escalada de hostilidades em maio de 2021”.

O secretário-geral da ONU escreve ainda que está “chocado com o número de crianças mortas e mutiladas pelas forças israelitas durante as hostilidades, em ataques aéreos em áreas densamente povoadas e através do uso de munição durante as operações de aplicação da lei”. Guterres destaca igualmente a “persistente falta de responsabilização por essas violações”.

No relatório é realçada a “séria preocupação” do representante da ONU “com a excessiva utilização da força”, inclusive contra as crianças. António Guterres está também “preocupado com o aumento do número de crianças detidas por Israel” e pelos relatos de violência física contra estas durante a detenção. “Reitero o meu apelo a Israel para que respeite os padrões internacionais de justiça juvenil, incluindo o uso da detenção como medida de último recurso e pelo mais curto período de tempo possível, ponha fim à detenção administrativa de crianças e previna qualquer violência e maus-tratos na detenção”.

O secretário-geral da ONU deixou, por outro lado, um apelo aos grupos armados palestinianos para que não exponham as crianças ao risco de violência e abstenham-se de instrumentalizá-las para fins políticos.