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O caso BES é um espelho da economia portuguesa, sintetiza Mariana Mortágua

No Jornal da Uma da TVI, Mariana Mortágua diz que “o caso BES não é o problema de um administrador ou de uma empresa. São as maiores empresas do país. Isto é o regime”.
“O caso BES não é o problema de um administrador ou de uma empresa. São as maiores empresas do país", disse Mariana Mortágua na TVI.
“O caso BES não é o problema de um administrador ou de uma empresa. São as maiores empresas do país", disse Mariana Mortágua na TVI.

“Para além de Ricardo Salgado e da acusação de associação criminosa há o problema do próprio sistema que permite isto vá acontecendo, através de escritórios de advogados perfeitamente legítimos, de empresas em offshore perfeitamente legítimas, e de ligações igualmente sempre legítimas que depois contribuem para criar este caldo” de interesses, disse Mariana Mortágua no Jornal da Uma da Tvi.  

“O caso BES não é o problema de um administrador ou de uma empresa. São as maiores empresas do país. Isto é o regime”, prosseguiu a deputada. E relembrou que “não é por acaso que, a partir deste caso, somos transportados para outros” numa verdadeira “porta giratória”, diz, relembrando os vários ministros e secretários de Estado do PS, PSD e CDS que transitaram entre governos e lugares executivos no universo Espírito Santo.

“O BES era o Banco do regime. Quantas campanhas terá financiado o BES? Conhecemos a de Cavaco Silva. Mas quantas campanhas foram financiadas pelo BES e outras empresas através destes esquemas?”, questionou ainda.

Desde 2013 que se identificaram problemas na ESI. “Era um veículo para tapar buracos de vários negócios e estava falida, com prejuízos de 4.200 milhões acumulados entre 2004 e 2013”, explicou ainda.

O que Ricardo Salgado fez foi “montar um esquema para financiar o seu próprio Grupo”. Este financiamento ocorria “através dos clientes do BES com a venda de dívida ao balcão”, bem como como financiamento intra-grupo através do Panamá, recorrendo a offshores para ficcionar financiamento entre empresas. Mas também “foi utilizada a “Portugal Telecom, que financiou o grupo através de lucros e empréstimos” e, por fim, o próprio sistema de “maquilhar contas, inventando ativos e escondendo dívidas”, explica Mariana Mortágua.

Mas esta é apenas “uma parte do caso” cujas ramificações incluem a lavagem de dinheiro em Angola, a Venezuela, negócios imobiliários com ligações à Caixa Geral de Depósitos e Battaglia, a Portugal Telecom, e outras como o caso Monte Branco.

“Para além de maquilhagem de contas e associação criminosa, este é um caso de branqueamento de capitais (onde se inclui o caso dos submarinos, adquiridos através de offshores), bem como a Akoya Asset Management com o caso Monte Branco”.

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