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Novo Banco: “Se os contribuintes pagam os bancos, têm que mandar nos bancos”

Catarina Martins defendeu esta terça-feira que o Novo Banco “deve permanecer público” e criticou a Comissão Europeia por querer impor ao país “pior de dois mundos”. Governo não contará com apoio do Bloco para entregar Novo Banco a privados.
"“A posição de princípio do Bloco, que mantemos, é que o Novo Banco deve ser de gestão pública", disse ao jornalistas Catarina Martins.

“Novo Banco deve permanecer público, porque tem muito dinheiro público. Temos visto que é um desastre andar a limpar com dinheiro público bancos privados, para depois os entregar novamente a privados. O Estado fica sempre com o prejuízo, os contribuintes ficam sempre com o prejuízo, para depois os privados fazerem outra vez o que lhes apetece”, defendeu Catarina Martins.

“A posição de princípio do Bloco, que mantemos, é que o Novo Banco deve ser de gestão pública. O Estado deve assumir essa gestão. Já perdemos o dinheiro, tenhamos o controlo do banco”, afirmou a coordenadora bloquista.

“Quem paga manda. Se os contribuintes pagam os bancos, têm que mandar nos bancos”, disse aos jornalistas à margem de uma reunião com responsáveis da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo.

A comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, admitiu esta terça-feira a possibilidade de o Estado português manter 25% do capital do Novo Banco, mas apontou que então deverá assumir outros compromissos, escusando-se a especificar quais.

Numa conferência de imprensa em Bruxelas, Vestager, questionada sobre notícias que apontam para a hipótese de a Comissão Europeia permitir que um quarto do capital do Novo Banco se mantenha no setor público, mas sob a condição de o Estado ficar fora da gestão do banco, disse que o executivo comunitário admite estudar alterações ao compromisso inicial (de venda de 100% do Novo Banco), mas salientou que a solução final deve ser “equilibrada”.

“Claro que discutimos com as autoridades portuguesas, como discutimos com outras, se estiverem numa situação em que querem alterar compromissos. A nossa missão é assegurar que as alterações são equilibradas. Por isso, se alguém quer fazer algo, talvez favorecendo uma parte, então é preciso equilibrar isso assumindo compromissos noutra área. Mas o processo ainda está em curso, e é da responsabilidade das autoridades portuguesas garantir a venda”, afirmou, citada pela Agência Lusa.

Questionada pelos jornalista sobre esta declarações, Catarina Martins acusou a Comissão Europeia de pretender o “pior dos dois mundos”. “O Estado não fica com o banco todo, fica com uma parte e, portanto, com responsabilidades sobre imparidades futuras. Mas, não pode ter uma palavra na sua gestão e, portanto, não tem uma palavra a dizer sobre a gestão dos ativos”.

A coordenadora do Bloco esclareceu que o Governo do PS conhece a posição do Bloco “desde a primeira hora”.  

“As pessoas lembram-se que quando o Governo decidiu entregar o Banif ao Santander não contou com o apoio do Bloco de Esquerda. Não há nenhuma novidade nesta nossa posição”, recordou.

Catarina Martins deixou ainda garantia que o Bloco “fará tudo ao seu alcance” para defender a melhor solução para o interesse público, fazendo os debates que devem ser feitos com o Governo e no Parlamento.

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