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Novo Banco: Governo volta a colocar país numa situação de fraqueza perante a banca

Deloitte falha novamente o prazo. Auditoria ao Novo Banco vai ser entregue ao Ministério das Finanças, em privado, e apenas com conclusões preliminares. Mariana Mortágua frisa que as decisões do Governo têm sido erradas, e têm colocado o Estado numa posição fraca e diminuída perante os interesses da banca.
A dirigente do Bloco Mariana Mortágua.
A dirigente do Bloco Mariana Mortágua.

No prazo final de 31 de julho, as conclusões preliminares à gestão de 18 anos do antigo BES e do Novo Banco foram entregues não ao Parlamento, mas apenas ao primeiro-ministro, em privado, noticia a agência Lusa.  

“Ao aceitar este novo atraso da Deloitte, o Governo português colocou-se si mesmo, ao Estado e ao país mais vez numa situação de fraqueza e numa posição diminuída face os interesses da banca, das auditoras e dos grandes investidores que tem interesses financeiros no Novo Banco”, afirmou Mariana Mortágua. “Já o tinha feito em maio quando aceitou transferir 850 milhões para o Novo Banco em benefício do fundo Lone Star sem conhecer auditoria”, acrescentou.

De acordo com a deputada bloquista, essa transferência foi “um erro tremendo” que poderia ter sido evitado, contrariando, inclusive, a promessa do primeiro-ministro de que não haveria uma nova transferência sem conhecer resultados da auditoria.

“Esses resultados foram prometidos para julho, já com atraso face àquilo que tinham sido as previsões iniciais”, lembrou, assinalando que “o Governo disse ao país que não tinha aceitado o pedido de atraso da auditoria feita pela Deloitte e a verdade é que acabou mais uma vez por aceitar esse pedido que foi imposto pela consultora au não apresentar os seus resultados atempadamente”.

Mariana Mortágua recordou ainda que a Deloitte cobrou ao Novo Banco 3 milhões de euros por esta auditoria, o triplo daquilo que custou a auditoria à Caixa Geral Depósitos. Acresce que “as suas conclusões são essenciais para travar um negócio que se tem demonstrado ao longo do tempo lesivo dos interesses públicos, um negócio perfeitamente desastroso”.

“Ao longo dos últimos três anos, o Bloco fez tudo o que estava ao seu alcance para travar este negócio, quisemos impedir a venda, tentámos impor que novas transferências só fossem feitas depois do conhecimento da auditoria, tentámos que o Parlamento pudesse travar novas transferências. Estas iniciativas foram sendo rejeitados ao longo do tempo por PS e PSD e, infelizmente, chegámos ao momento em que a garantia pública está praticamente esgotada. Mas temos hoje cada vez mais evidências do desastre deste negócio e de que a Lone Star está a utilizar a gestão do banco para beneficiar os seus interesses prejudicando os interesses dos contribuintes”, afirmou a dirigente do Bloco.

Mariana Mortágua frisou que “é necessário que neste momento todas as transferências para o Novo Banco e todas as vendas de ativos sejam suspensas tal como defende o Bloco desde há um ano a esta parte”. 

Bem como é necessário “conhecer com urgência os resultados da auditoria”. A deputada vincou ainda que “é exigido ao governo que partilhe com a Assembleia da República todo o conhecimento que tiver sobre os resultados preliminares desta auditoria”.

“As decisões que o Governo tem tomado sobre o Novo Banco têm sido erradas, e têm colocado o Estado numa posição fraca e diminuída perante os interesses da banca. E, por isso mesmo, é exigível que o Parlamento tenha conhecimento de todas as decisões e possa participar nelas, de acordo e promovendo um debate público sobre as questões relativas ao Novo Banco”, rematou.

Parar com a venda de ativos tornou-se incontornável

Depois das revelações do jornal Público, esta semana, sobre a venda de 13 mil imóveis do Novo Banco a um fundo com sede em paraísos fiscais, com financiamento do próprio banco e uma desvalorização forte que foi compensada pelo Fundo de Resolução, a pressão para o Novo Banco parar com a venda de ativos tornou-se incontornável. Com a falha da Deloitte em entregar o relatório, o Fundo de Resolução deu ordem ao Novo Banco para parar com as vendas.

A versão final da auditoria ainda não existe nem tem uma data para a sua publicação. Segundo a informação da Deloitte recebida pelo Ministério das Finanças, serão apresentadas as conclusões preliminares ao comité de acompanhamento operacional.

Estas conclusões referem-se a apenas um “conjunto de secções integrantes do relatório de auditoria para efeitos do exercício de contraditório pela entidade auditada e solicitação de eventuais esclarecimentos adicionais por parte do Fundo de Resolução.”

Em comunicado, o Ministério das Finanças lamenta “que, nessa data, o auditor independente não apresente ainda a versão final e definitiva do relatório de auditoria e aguarda que esse relatório seja concluído e dado a conhecer ao Governo e aos partidos representados na Assembleia da República no mais curto prazo possível”.

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