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Nova diretora de marketing da Casa da Música promoveu precariedade

Gilda Veloso é identificada como uma das principais responsáveis pelas políticas de precariedade da instituição.
Foto de José Coelho, Lusa.

O Conselho de Administração da Casa da Música anunciou a criação de um novo cargo de direção comercial, marketing e fundraising, para o qual foi nomeada Gilda Veloso. Até agora sob a dependência da direção artística, o cargo transforma-se na terceira direção da instituição.

Gilda Veloso surge ligada à Casa da Música ainda antes da criação da fundação, tendo sido nomeada nos últimos meses do governo de Durão Barroso.

Ao Esquerda.net, os trabalhadores da instituição revelam desconhecer as funções da nova diretora além do seu papel nas políticas de trabalho da Casa da Música, fortemente marcadas pela precarização dos trabalhadores.

Nos últimos meses, foi diretamente responsável pelo despedimento de assistentes de sala que há vários anos ali trabalhavam a recibos verdes, como represália pelo seu envolvimento em contestações. Um deles foi Hugo Veludo, despedido em clara retaliação por ter assumido a representação dos assistentes de sala descartados pela Casa da Música no início da pandemia. Mas não foi caso único. Vários assistentes de sala que deixaram de ser chamados por ordem de Gilda Veloso, um deles, caso mais chocante, com cinco anos de serviço e poucas semanas depois de ser pai pela primeira vez.

A política de precariedade no departamento coordenado por Gilda Veloso é conhecida, e foi mesmo alvo de várias comunicações às Comissões Parlamentares do Trabalho e de Cultura, em 2020, quando ali foram chamados representantes dos trabalhadores precários, o conselho de administração e a ACT. Nessa altura, vários ex-trabalhadores daquele departamento enviaram testemunhos escritos às comissões relatando os anos em que trabalharam 8 horas por dia e 40 por semana a recibo verde, sem direito a férias pagas, num posto de trabalho fixo e sujeitos a uma hierarquia sob a chefia de Gilda Veloso.

Os sucessivos pedidos de contrato de trabalho eram sistematicamente recusados. Com a pressão pública que entretanto cresceu, várias situações similares foram convertidas em contratos. Mas não em contratos efetivos sem termo, gerando a contestação dos trabalhadores por se tratar de funções permanentes na Casa da Música.

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