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Nos 42 anos do SNS, presidente da APDP defende maior envolvimento das autarquias

No dia em que o Serviço Nacional de Saúde cumpriu 42 anos, os médicos fizeram uma flash-manif “pelos médicos e pelo SNS”. José Manuel Boavida, presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, defende maior envolvimento das autarquias na saúde pública e critica a gestão hipercentralizada do SNS.
Flash-Manif “Pelos médicos e pelo SNS”, na ULS Litoral Alentejano – foto da FNAM/página no facebook
Flash-Manif “Pelos médicos e pelo SNS”, na ULS Litoral Alentejano – foto da FNAM/página no facebook

No dia em que o SNS completou 42 anos, 15 de setembro de 2021, José Manuel Boavida, presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), em entrevista ao jornal “I”, assinalou que faz falta no SNS “a descentralização e a autonomia de gestão” e criticou a “gestão hipercentralizada”.

“O SNS continua numa visão muito centrada sobre si própria, muito curativa, muito hospitalocêntrica e sem perceber a dimensão social e humana da doença crónica”, critica José Manuel Boavida.

O presidente da APDP aponta que se mantém “uma gestão hipercentralizada no SNS”, a qual se manteve na pandemia e que “fez com que não se percebesse experiências fantásticas a nível local, a energia que localmente se consegue colocar nos projetos de intervenção e que muitas vezes são esmagados pela hierarquia”.

O presidente da APDP critica também o sistema de pagamentos, sublinhando que não podemos “pagar mais a um hospital por cortar uma perna do que poupar uma perna”.

Por um SNS mais integrado e com mais respostas de proximidade

José Manuel Boavida afirma também que há um grande desconhecimento do que deve ser o trabalho dos cuidados primários, devido a “uma discrepância enorme entre o que existe nos cuidados primários e hospitais cheios de cuidados ambulatórios e com centenas de milhares de pessoas diariamente a ter consultas nos hospitais”.

“É um gasto tremendo”, constata e critica: “e depois, quando é preciso cortar nos gastos, corta-se sempre no mesmo: nos ordenados dos médicos, dos enfermeiros, fazem-se contratos precários”.

“Uma outra reforma que penso que seria importante é colocar os profissionais de saúde num papel mais responsável ao nível da gestão. A gestão não pode continuar a ser feita só por gestores hospitalares”, aponta.

O presidente da APDP defende também que é preciso “aumentar a participação dos utentes, uma visão crítica de fora” e, a concluir, afirma: “É neste contexto de uma reforma mais ampla, com um SNS mais integrado e com mais respostas de proximidade, que fazemos este apelo ao envolvimento das autarquias”.

"Flash-manif" dos médicos

Os médicos fizeram esta quarta-feira uma "flash-manif" convocada pela federação nacional, em que participaram centenas de profissionais, que denunciaram que “estão exaustos e cada vez mais desmotivados” e em que dizem que “com esta demonstração de capacidade reivindicativa os médicos mostram ao Governo que não pode continuar a ignorá-los”.

 

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