Na Cimeira Ibérica, convergiram protestos laborais e ambientais

10 de October 2020 - 16:50

O governo português e espanhol encontraram-se na Guarda. Foram recebidos por trabalhadores dos bares dos comboios que ligam os dois países e que têm contratos suspensos, por manifestantes pelo encerramento da Central Nuclear de Almeria e contra a exploração de urânio em Retortillo e outros contra as portagens nas ex-Scut.

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Alguns dos manifestantes na Guarda na Cimeira Ibérica. Outubro de 2020. Foto de Foro Extremeño Antinuclear.
Alguns dos manifestantes na Guarda na Cimeira Ibérica. Outubro de 2020. Foto de Foro Extremeño Antinuclear.

De um lado, os governos português e espanhol reuniam-se oficialmente na 31ª Cimeira Ibérica, com direito a hino e fotos de circunstância. Do outro, a imagem era diferente. Mas o protesto era também ele ibérico porque há direitos que atravessam as fronteiras. E este sábado, na Guarda, os manifestantes saíram à rua em defesa de várias causas diferentes que dizem respeito a ambos os lados da fronteira.

Uma delas era a dos trabalhadores da Serviral, a empresa responsável pelos bares e alojamento no serviço Lusitânia e Sud-Express de ligação entre Portugal e Espanha. O serviço foi suspenso devido às medidas de restrição no âmbito do combate à covid-19 e os seus contratos também. Temem agora um despedimento coletivo.

Fernando Pinto, do Sindicato de Hotelaria do Sul, disse à Lusa que “é inconcebível que as fronteiras em toda a União Europeia estejam abertas para os comboios e a única que está fechada é [entre] Portugal e Espanha”. Os trabalhadores consideram portanto possível reabrir os serviços em condições de segurança.

Em termos mais gerais, a União de Sindicatos da Guarda da CGTP colocou ao governo outras questões de âmbito laboral, tendo entregue ao governo português um documento com medidas para "valorizar quem trabalha e a produção nacional", defendendo serviços públicos e as funções sociais do Estado.

O Movimento Ibérico Antinuclear também marcou presença tendo elaborado um documento que pretendia entregar aos governos de ambos os países em defesa do encerramento da Central Nuclear de Almaraz e contra a exploração de uma mina de urânio em Retortillo, ambas junto à fronteira com Portugal.

Ao mesmo tempo, também a Plataforma P'la Reposição das Scut´s nas autoestradas A23 e A25 fazia ouvir a sua voz na defesa do fim das portagens.