You are here

Morreu uma figura de culto de Cuba. Um herói da Revolução!

Quando para receber a visita de importante ministra soviética resolveram alindar a “Plaza de armas” calcetando de novo a “rua de madeira” do tempo colonial, sem se preocuparem com o facto de estarem a destruir um importante património histórico da cidade de Havana, um jovem deitou-se no chão frente às máquinas: Só por cima do meu cadáver! Por José Manuel do Carmo em Havana
Eusebio Leal Spengler – Foto da Academia Cubana de la Lengua
Eusebio Leal Spengler – Foto da Academia Cubana de la Lengua

É este homem que faleceu esta sexta-feira, 31 de julho, com 77 anos. Eusébio Leal Sprengler que aos 16 anos, começou a trabalhar no governo municipal onde obteve o sexto ano de escolaridade, mas que pelo seu interesse e dedicação se formou por si mesmo na história e património da sua cidade e, pelo seu valor, começou a colaborar com o “Historiador de la Ciudad” que face ao seu valor conseguiu que fosse admitido na Universidade de Havana onde se licenciou e doutorou em Ciências Históricas.

Sucedeu na tarefa de Historiador da Cidade e iniciou um processo de recuperação solidamente fundamentado que permitiu recolher apoios de instituições internacionais apostadas na proteção e desenvolvimento do património histórico e cultural, nomeadamente, o reconhecimento do Centro Histórico de Havana como Património da Humanidade pela Unesco em 1982, e, com o beneplácito de Fidel que compreendeu a sua perspetiva, iniciou um compromisso com o capital permitindo parcerias que levaram à construção de hotéis, lojas de marcas conhecidas e sobretudo bares, restaurantes e outros serviços de consumo que foram gerando a renda necessária para um lento, mas sustentável projeto de preservação do património arquitetónico do núcleo antigo da cidade evitando, ou competindo, com a degradação pelo tempo e o descuido da insensibilidade política. É graças a ele que “La Habana” salvou da ruína muitos edifícios simbólicos do período colonial y manteve a dignidade e charme da sua ”Habana vieja”, mas também a manutenção e melhoria da vida social para os seus habitantes. Talvez pela dimensão e significado político, destaca-se ter conseguido os apoios de monta que permitiram a recuperação do Capitólio, o antigo parlamento de Cuba, que voltou a essa função.

Seguramente haverá críticas: recuperar edifícios significa desalojar pessoas, mas o seu problema principal foram as notícias de corrupção em empresas da “Oficina del Historiador”, escândalos que em Cuba, quando públicos, sempre são dirigidos. Não obstante ser membro do Comité Central do Partido Comunista desde 1991, o facto de surgir com uma visão progressista, de se ter destacado em algumas vezes como uma voz crítica dentro da nomenclatura e defender causas abomináveis para a ortodoxia, como a legalização do matrimónio homossexual, não podiam deixar de na primeira oportunidade, lhe cortarem as asas. Não obstante não ter sido destituído, a sua atividade foi limitada e os militares tomaram o controlo de algumas das empresas, que passaram a integrar o complexo empresarial militar cubano. Figura admirada a nível internacional pela sua obra e pensamento, tornou-se uma das pessoas que, provavelmente, mais distinções recebeu em toda a história de Cuba, como a Gran Cruz de la Orden Civil de Alfonso X el Sabio (Espanha), a Ordem de Mayo (Argentina), a Ordem de Mérito (Alemanha), Ordem de Mérito la República Italiana, Ordem das Artes e Letras (França), Ordem de Mérito (ouro) da República Popular da Polónia, membro das academias mexicanas da Língua e História, das Artes e Ciencias (EUA) e do Smithonian Institute (EUA), entre outras.

Artigo de José Manuel do Carmo em Havana

Termos relacionados Comunidade
(...)