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Morreu Pedro Gonçalves, contrabaixista dos Dead Combo

Pioneiro no jazz, percorreu um caminho singular na música portuguesa juntamente com Tó Trips, com quem fazia dupla na banda, e muitos outros artistas com quem colaborou. 
Imagem do álbum Lisboa Mulata.

Figura central da música portuguesa do século XXI, Pedro Gonçalves morreu este sábado, aos 51 anos, vítima de cancro. O agravamento do seu estado de saúde tinha levado a banda a cancelar quinze concertos agendados para uma digressão de despedida.

Em entrevista ao Público, em 2019, Pedro Gonçalves definia a digressão da seguinte forma: “Assim, acabamos enquanto estamos os dois bem, criativos e ainda com muitas coisas para fazer. Saímos de cena quanto estamos no alto em todos os sentidos”.

Os Dead Combo surgem em 2003 através de Pedro Gonçalves e Tó Trips, criando um novo panorama na música portuguesa do século XXI.

Formado na Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal, o seu percurso profissional leva-o progressivamente do jazz para outras paragens a partir dos anos 90. Trabalha em estúdio nos álbuns de Sérgio Godinho, nomeadamente Domingo no Mundo (1997) e Lupa (2000), ou dos GNR, como Mosquito (1998), e em palco com Godinho ou Xutos & Pontapés, na digressão Nesta Cidade, em 2003.

A cooperação com Tó Trips juntou-se a um convite para participar numa homenagem a Carlos Paredes - Movimentos Perpétuos - Música para Carlos Paredes, onde apresentam Paredes ambience. Os dois trabalham depois para a música mas também enquanto personagens de Sudwestern, do realizador Edgar Pêra.

O primeiro álbum surge em 2004, Vol. 1, confirmando uma reconfiguração de sons e estilos, desde o jazz, rock, ao tango e às mornas com fado pelo meio, com Lisboa ao fundo.

Ao Público, Pedro Gonçalves definia assim o trabalho: “Esta ‘cena tuga’ não é necessariamente uma harmonia, um ritmo, uma melodia. Nem é necessariamente ‘tuga’. É ‘tuga’ à nossa maneira. É aquilo e é um bocado indefinível.”

A Vol. 1 sucederam Quando a Alma Não é Pequena - Vol. II (2006), Lusitânia Playboys (2008), Lisboa Mulata (2011), A Bunch of Meninos (2013) e Odeon Hotel (2018).

Ao Público, Rodrigo Amado recorda Pedro Gonçalves como “um dos primeiros músicos a ter uma formação académica bastante sólida, mas tinha uma curiosidade por projectos mais experimentais e mais abertos. Nessa altura, nos anos 1999, 2000, 2001, eram raros os músicos que faziam essa travessia entre o mundo mais académico e mais conservador e as músicas mais improvisadas.”

Foi também produtor de Aldina Duarte, em Romance(s) (2015) e Quando se Ama Loucamente (2017). Colaborou em produções de teatro e dança com o Circolando em Paus e Pétalas, com a sua companheira, bailarina e encenadora Ainhoa Vidal. O último trabalho de Pedro Gonçalves foi a banda sonora de Lilliput, já em 2020.

 

Lisboa Mulata - Official Video

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