Na passada quinta-feira, Alfama assistiu a uma ação de protesto intitulada “Mais Habitação, Mais População”. Segundo a agência Lusa, nos cartazes em forma de sardinha liam-se frases como “Especulação rouba habitação”; “Alfama bonita, só quando há quem habita” e “Queremos casas no largo de São Miguel”.
Com a pandemia da covid-19, os turistas não aparecem pelo bairro de Alfama “temos o bairro com muitas casas fechadas, muitas casas vazias e sem pessoas”, afirmou a presidente da Associação do Património e da População de Alfama (APPA). A dirigente denuncia que não existe uma política de recuperação para Alfama ou a que existe é só direcionada para o turismo.
O presidente da Associação dos Inquilinos Lisbonenses (AIL), Romão Lavadinho, reclama medidas para acabar com os despejos porque “após setembro, quando terminar a moratória de acabar os despejos - que diz que não pode haver despejos seja em que condições forem - que se encontrem novas soluções”.
O presidente da AIL considera que deve ser criada uma lei de rendas que proteja as famílias portuguesas mais frágeis com o objetivo de se manter o contrato de arrendamento e evitar os despejos, já que “as pessoas não têm condições para andar anualmente, ou de cinco em cinco anos, à procura de uma nova casa”.
Por sua vez, Luís Mendes, do Movimento Morar em Lisboa, aponta o dedo ao turismo como um dos maiores problemas do bairro de Alfama. “É um bairro que tem um excesso turístico. Embora existam alguns apoios pontuais e políticas municipais para aumentar a oferta de habitação, isso não resolve os problemas dos despejos e das rendas, cujos valores continuam a escalar galopantemente”, vincou à Lusa.
A perda de habitantes é inegável: “nos anos 80 tínhamos 20 mil pessoas. Neste momento, não chegamos às 1000”, disse Luís Mendes.
Durante o protesto foi votada e aprovada, por voto popular, uma resolução que será entregue à Assembleia Municipal de Lisboa, às assembleias de freguesia, às Juntas de Freguesia, ao governo, à Câmara Municipal de Lisboa e a todas as autoridades políticas “para ver se aceleramos aqui a possibilidade de aumentar a oferta de casas no mercado acessíveis às pessoas”, referiu Luís Mendes. A resolução exige medidas concretas para aumentar a habitação pública e a revogação da lei dos despejos.