Milhão e meio de portugueses teriam risco acrescido se contraíssem covid

27 de July 2020 - 17:46

Especialistas da Escola Nacional de Saúde dizem que os resultados do seu estudo “devem encorajar as autoridades de saúde a proteger aqueles que estão mais frágeis e vulneráveis nesta pandemia, evitando assim o eventual colapso do sistema de saúde”.

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Corredor de Hospital. Foto de Paulete Matos.
Corredor de Hospital. Foto de Paulete Matos.

Um estudo de Pedro Laires e Carla Nunes, da Escola Nacional de Saúde Pública, citado pela TSF esta segunda-feira, estima que, pelo menos, 1,5 milhões de portugueses correm risco de doença severa se contraírem covid-19. Trata-se de doentes crónicos com mais de 65 anos, 932 mil dos quais mulheres e 628 mil homens, que constituem cerca de 15% da população portuguesa.

Por região é no norte que vivem as pessoas com mais risco potencial (33,7%), seguido de Lisboa e Vale do Tejo (26,2%) e do Centro (24,9%).

Neste estudo pode ler-se que estes resultados devem encorajar as autoridades de saúde a proteger aqueles que estão mais frágeis e vulneráveis nesta pandemia, evitando assim o eventual colapso do sistema de saúde.

Estas conclusões foram tiradas a partir do último Inquérito Nacional de Saúde, de 2014, e considerando as doenças crónicas que são consideradas fator de risco em caso do paciente contrair a covid-19: hipertensão, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crónica, doença cardiovascular e cerebrovascular.

Mas os autores acham que podiam ter ido mais longe: consideram que a sua metodologia foi “restritiva”, ao limitar-se aos parâmetros anteriormente referidos, pelo que a população em risco poderá ser ainda maior. Se tivesse sido contabilizada toda a população idosa e as pessoas mais novas mas com alguma destas doenças crónicas, o número de pessoas com risco acrescido subiria para 3,7 milhões de pessoas.

Outra das ressalvas feitas pelos autores é que não tiveram em conta outro tipo de condições que aumenta, o risco de complicações como o cancro e a obesidade severa.