Metade dos doentes com psoríase em Portugal não estão a ser tratados

06 de September 2021 - 10:14

Para além da doença e das patologias associadas, os pacientes têm de lidar com o estigma. Dizem que os medicamentos são muito caros e exigem que os tratamentos mais recentes sejam comparticipados.

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Creme numa mão. Foto de Shawn Campbell/Flickr.
Creme numa mão. Foto de Shawn Campbell/Flickr.

Em Portugal, perto de 200 mil pessoas sofrem com psoríase, uma doença que provoca lesões na pele e que se calcula que afete entre 1% a 3% da população mundial. Só que metade das pessoas que com ela sofrem no nosso país não estarão a ser tratadas, revelou este domingo o Jornal de Notícias.

O diário falou com Paulo Ferreira, dermatologista e consultor científico na PSOPortugal – Associação Portuguesa da Psoríase, que avança para este facto explicações como “a não comparticipação dos medicamentos tópicos, como cremes ou pomadas, que são muito caros, e as listas de espera no Serviço Nacional de Saúde”. O profissional defende assim um maior investimento no SNS para colmatar estas situações.

Para além dos tratamentos caros, diagnóstico tardio ou incorreto, terapêuticas desadequadas, o desconhecimento da patologia ou o estigma associado à doença de pele são outras razões apontadas para muitos destes pacientes não estarem em tratamento.

A psoríase causa lesões avermelhadas e descamação em várias partes do corpo não é contagiosa mas “contagioso é o preconceito que ainda existe”, considera Paulo Ferreira. E com o preconceito vem o bullying, a baixa autoestima, a discriminação em várias profissões, por exemplo.

Para além da pele, o órgão que é mais afetado, pode afetar outras partes do corpo, tendo-se identificado patologias associadas com a artrite psoriática, risco cardiometabólico, depressão, isolamento social ou propensão suicida.

O especialista explica ainda que “há uma grande assimetria entre as grandes cidades e o interior ou ilhas e dos doentes que têm seguros daqueles que não os têm. Há ainda quem não tenha simplesmente dinheiro para ir a uma consulta privada”.

O mesmo órgão de comunicação social cita ainda Jaime Melancia, presidente daquela instituição que explica que para combater o estigma têm lançado campanhas de sensibilização e várias outras iniciativas e que “o número de pessoas alcançadas tem aumentado e esperamos pouco a pouco ajudar nesta desmistificação”.

Os doentes querem que os tratamentos mais recentes para travar a doença sejam comparticipados. Paulo Ferreira acredita que nos últimos vinte anos existiu “uma evolução extraordinária das terapêuticas” que reduz as lesões, chegando a conseguir-se que haja quem “tenha 95% a 100% da pele tratada. Os tratamentos biotecnológicos podem mesmo reverter e controlar a evolução da doença, mas ainda há falta de sensibilidade do SNS quanto à mais-valia destas terapêuticas”, avalia.

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