Em Portugal, perto de 200 mil pessoas sofrem com psoríase, uma doença que provoca lesões na pele e que se calcula que afete entre 1% a 3% da população mundial. Só que metade das pessoas que com ela sofrem no nosso país não estarão a ser tratadas, revelou este domingo o Jornal de Notícias.
O diário falou com Paulo Ferreira, dermatologista e consultor científico na PSOPortugal – Associação Portuguesa da Psoríase, que avança para este facto explicações como “a não comparticipação dos medicamentos tópicos, como cremes ou pomadas, que são muito caros, e as listas de espera no Serviço Nacional de Saúde”. O profissional defende assim um maior investimento no SNS para colmatar estas situações.
Para além dos tratamentos caros, diagnóstico tardio ou incorreto, terapêuticas desadequadas, o desconhecimento da patologia ou o estigma associado à doença de pele são outras razões apontadas para muitos destes pacientes não estarem em tratamento.
A psoríase causa lesões avermelhadas e descamação em várias partes do corpo não é contagiosa mas “contagioso é o preconceito que ainda existe”, considera Paulo Ferreira. E com o preconceito vem o bullying, a baixa autoestima, a discriminação em várias profissões, por exemplo.
Para além da pele, o órgão que é mais afetado, pode afetar outras partes do corpo, tendo-se identificado patologias associadas com a artrite psoriática, risco cardiometabólico, depressão, isolamento social ou propensão suicida.
O especialista explica ainda que “há uma grande assimetria entre as grandes cidades e o interior ou ilhas e dos doentes que têm seguros daqueles que não os têm. Há ainda quem não tenha simplesmente dinheiro para ir a uma consulta privada”.
O mesmo órgão de comunicação social cita ainda Jaime Melancia, presidente daquela instituição que explica que para combater o estigma têm lançado campanhas de sensibilização e várias outras iniciativas e que “o número de pessoas alcançadas tem aumentado e esperamos pouco a pouco ajudar nesta desmistificação”.
Os doentes querem que os tratamentos mais recentes para travar a doença sejam comparticipados. Paulo Ferreira acredita que nos últimos vinte anos existiu “uma evolução extraordinária das terapêuticas” que reduz as lesões, chegando a conseguir-se que haja quem “tenha 95% a 100% da pele tratada. Os tratamentos biotecnológicos podem mesmo reverter e controlar a evolução da doença, mas ainda há falta de sensibilidade do SNS quanto à mais-valia destas terapêuticas”, avalia.