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Mais de um quarto dos portugueses come pior devido à pandemia 

O estudo da Direção-Geral da Saúde alerta que 8% dos inquiridos indica ter dificuldades económicas para comprar alimentos.
Foto de Paulete Matos.

O impacto da pandemia na crise social elevou logo a partir de abril o número de pessoas que procuravam apoio alimentar, com as refeições distribuídas apenas pela Câmara Municipal de Lisboa a aumentarem em mil por dia face ao ano passado.

Mas o estudo da Direção-Gerla da Saúde (DGS) revela que mais de 40 por cento dos portugueses mudou os seus hábitos alimentares para pior devido à pandemia. O impacto terá efeitos a longo prazo, uma vez que mais de um quarto afirma ter aumentado de peso e 8% indica dificuldades económicas no acesso aos alimentos.

Segundo a DGS, se a maior parte das pessoas passou a cozinhar mais

frequentemente, passou também a consumir mais petiscos e snacks doces.

Estes valores “merecem uma análise aprofundada”, enfatiza a DGS com base nos resultados deste inquérito divulgado este sábado. O facto de terem começado a petiscar mais, associado ao sedentarismo, “pode explicar a percepção de peso aumentado durante este período" reportada por 26,4% dos inquiridos.

A DGS destaca ainda a publicidade a alimentos, onde cerca de 10,4% dos anúncios nos canais de TV generalistas são relativos a alimentos e, destes, a maior parte (65,6%) não cumpre o perfil nutricional definido pela DGS. Além disso, apesar da proibição, 18,6% dos anúncios a alimentos ainda apresentam conteúdo dirigido a crianças.

As alterações dos horários de trabalho, o stress e modificações no apetite são dos principais fatores que provocam alterações de hábitos alimentares.

“Estes resultados reforçam aquilo que temos vindo a defender: é preciso mais ritmo e mais intensidade por parte do Governo para a alteração dos hábitos alimentares nacionais que, como vemos, são responsáveis por grande parte das doenças que assolam a vidas dos portugueses”, comentou à Lusa a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento.

Estas doenças “são, inclusive, factores de risco para a covid-19 e não podem, em momento algum e perante esta crise pandémica, ser secundarizadas”, avisou.

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