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Luís Filipe Costa (1936-2020)

O jornalista, radialista, realizador de televisão, ator e encenador morreu esta terça-feira, aos 84 anos. Na madrugada de 25 de Abril de 1974, a sua voz ecoou nos microfones do Rádio Clube Português: “Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas”.
O jornalista, radialista, realizador de televisão, ator e encenador Luís Filipe Costa.
O jornalista, radialista, realizador de televisão, ator e encenador Luís Filipe Costa. Imagem DR.

Nascido a 18 de março de 1936, Luís Filipe Costa trocou o curso da Faculdade de Economia por uma carreira no mundo da rádio. Iniciou a sua carreira profissional como radialista na Emissora Nacional. Posteriormente, entrou para o Rádio Clube Português, onde dirigiu o Serviço de Noticiários. Foi aí que, a partir das oito da manhã do dia 25 de Abril de 1974, veio a ler os comunicados do Movimento das Forças Armadas.

Conforme recordou a RTP no programa "Estórias da TV", Luís Filipe Costa “transferiu a sua atividade para a RTP onde realizou filmes de ficção, documentários e peças de teatro”. Do seu currículo constam mais de 30 telefilmes e séries, entre os quais “A Borboleta na Gaiola”, “Morte D´Homem”, “Arroz Doce”, e “Esquadra de Polícia”. O realizador foi também criador da série documental "Há só uma Terra". "Uma das grandes séries da RTP, feita há cerca de 30 anos, mas ainda perfeitamente actual. Realização e apresentação de Luís Filipe Costa, um dos maiores jornalistas portugueses", frisa o canal. Assinou ainda a realização televisiva do derradeiro concerto de José Afonso no Coliseu dos Recreios.

Luís Filipe Costa foi também ator e encenador, e assinou os romances Borboleta na Gaiola, que publicou em 1984, e Agora e na Hora da Sua Morte, com data de 1988.

Em 2011, foi condecorado com o Grau de Comendador da Ordem da Liberdade. Recebeu ainda vários outros galardões, como o Prémio da Casa da Imprensa para o melhor radialista (1966 e 1974) ou o Grande Prémio do Festival de Cinema para Televisão de Chianchino (Itália), em 1988.

Em entrevista a Viriato Teles, Luís Filipe Costa afirmou olhar “os portugueses como vítimas de quatrocentos anos de Inquisição e de cinquenta de salazarismo. Esses dois terríveis, temíveis, medonhos fenómenos fizeram com que, entre outras coisas, estejamos muitas vezes à espera que nos ponham uma prancha por onde possamos escorregar rumo ao futuro”.

“Uma das coisas de que me orgulho, é ter participado na Revolução e ter contribuído para que o meu filho não fosse matar ou ser morto numa guerra perfeitamente injusta, que não tinha solução, e com a qual ele não tinha nada a ver”, adiantou ainda o realizador.

Questionado se voltaria a dar a voz a outro 25 de Abril, respondeu: “Ia já, a correr!”.

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