De Espanha vem a notícia de que o governo de Pedro Sánchez vai taxar extraordinariamente cerca de 20 grandes empresas do setor bancário e energético que tiveram lucros “caídos do céu” e que tomará medidas para que esta fatura não seja passada aos clientes. Em Portugal, têm-se sucedido notícias de fortes aumentos de lucros em muitas das maiores empresas, acompanhadas pela informação de que a inflação atingiu o valor mais alto em perto de 30 anos, situando-se agora em 9,1%.
Pedro Filipe Soares reagiu no Twitter escrevendo: “Já não há dúvidas que o povo empobrece enquanto a elite enriquece. E o Governo? Vai continuar a aceitar este abuso? Insiste em não controlar preços nem aumentar salários?”
Inflação a 9,1%, lucros de empresas nos setores alimentares e da energia superiores a 1.000 milhões de euros.
Já não há dúvidas que o povo empobrece enquanto a elite enriquece.
E o Governo? Vai continuar a aceitar este abuso? Insiste em não controlar preços nem aumentar salários?— Pedro Filipe Soares (@PedroFgSoares) July 29, 2022
O partido tinha já tomado posição esta semana depois de ter sido conhecido que a Galp tinha aumentado lucros em 153%, o equivalente a 422 milhões de euros, exigindo-se a sua taxação e criticando o “abuso na formação do preços dos combustíveis”.
O líder parlamentar bloquista referia-se na sua publicação aos lucros das empresas dos setores alimentares e da energia serem superiores a 1.000 milhões de euros, comentando um artigo do Jornal de Notícias que apresenta essas contas. Os últimos lucros a serem conhecidos foram os da Sonae, a empresa proprietária do Continente que atingiram só 62 milhões, crescendo 29,3%.
Se a Galp foi a que registou uma maior percentagem de aumento de lucros, a EDP Renováveis também atingiu valores elevados com mais 87%, o que significa 265 milhões de euros.
No setor da venda a retalho, a Jerónimo Martins, detentora de marcas como o Pingo e o Recheio, aumentou os lucros em 40% num ano, isto é 278 milhões de euros.
Registe-se ainda, no domínio dos lucros das grandes empresas, os aumentos de lucros da petrolífera Repsol em 105,6% (2.539), da Altri, produtora de pasta de papel, em 56,9% (69,6 milhões), do grupo bancário Santander em 33% (4.894 milhões), do BCP em 500% (74,5 milhões), da REN, Redes Energéticas Nacionais, em 16% (45,9 milhões).