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Jorge Silva Melo (1948-2022)

Dramaturgo, cineasta, escritor, crítico, editor, tradutor, cronista, Jorge Silva Melo faleceu na segunda-feira, aos 73 anos. Em nota de pesar, o Bloco de Esquerda lamenta a morte de uma figura que "alterou profundamente o panorama do teatro e do cinema português".
Faleceu Jorge Silva Melo. Fotografia: Artistas Unidos

Jorge Silva Melo nasceu a 7 de Agosto de 1948 e passou a infância em Angola. Quando regressou a Portugal onde frequentou a licenciatura em em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa.

Com Luís Miguel Cintra, criou o Teatro da Cornucópia, que cessou funções em 2016, após mais de 40 anos de atividade artística. Foi também fundador dos Artistas Unidos, companhia com a qual se preparava para estrear, no dia 23 de março, “Vida de Artistas”, de Noël Coward, com Nuno Pardal, Rita Brütt, Pedro Caeiro, no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa. 

O seu interesse pelas artes e pelo cinema levou-o para Londres, em 1969, onde foi estudar na London Film School, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi autor de obras marcantes do cinema português após o 25 de abril, tais como “Passagem ou A Meio Caminho” (1980), “Ninguém Duas Vezes” (1985), “Agosto” (1987) ou “Coitado do Jorge” (1993). Em 2020, a Cinemateca de Lisboa efetuou uma retrospetiva da sua obra. 

Jorge Silva Melo foi também autor de peças de teatro, entre as quais “Seis Rapazes, Três Raparigas” (1993) e “António, Um Rapaz de Lisboa” (1995), “O Grande Dia da Batalha” (a partir de Albergue Noturno, Máximo Gorki, 2018). Publicou também os livros “Século Passado” (2007) e “A Mesa Está Posta” (2019). 
 

Escreveu o libreto para uma ópera – Le château des Carpathes (baseado em Júlio Verne), de Philippe Hersant (1992) e traduziu obras de autores como Carlo Goldoni, Luigi Pirandello, Oscar Wilde, Bertolt Brecht, Georg Büchner, Lovecraft, Michelangelo Antonioni, Pier Paolo Pasolini, Harold Pinter, Heiner Müller. 

A consciência política de Jorge Silva Melo desperta na juventude e chegou a ser preso pela PIDE numa manifestação. Depois do 25 de Abril esteve no MES e na década de 1980 apoiou campanhas e foi candidato nas europeias de 1987 pelo PSR, integrando a redação da revista “Combate”.

Nota de pesar do Bloco de Esquerda

"A marca de Jorge Silva Melo na cultura portuguesa estende-se por diversas gerações e muito para lá do teatro" pode ler-se na nota de pesar do Bloco de Esquerda. 

O partido lembra que Jorge Silva Melo "alterou profundamente o panorama do teatro e do cinema português, apostou sempre nas jovens gerações e nunca parou de questionar e criar novos mundos. No associativismo cultural, em particular na fundação da Abril em Maio, teve papel importante. Foi também uma personalidade marcante na esquerda portuguesa, com posições públicas fortes contra a guerra, contra a austeridade e de solidariedade internacional".

O Bloco de Esquerda lamenta a morte de Jorge Silva Melo e envia condolências à sua família e amigos e aos Artistas Unidos. 
 


O velório de Jorge Silva Melo realiza-se a partir das 17:30 de quinta-feira, na capela de Nossa Senhora do Carmo, na Basílica da Estrela, em Lisboa.

O funeral será pelas 11:00 de sexta-feira da Basílica da Estrela para o Cemitério dos Prazeres.

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