IPO: trabalhadores manifestam-se contra banco de horas

07 de August 2021 - 11:02

A 21 de julho a administração do IPO anunciou que pretendia que esta fosse a primeira instituição pública a tentar implementar a medida. Os trabalhadores dizem que é uma forma de desregular horários e eliminar o pagamento de horas extraordinárias e salientam que sempre responderam às exigências do seu trabalho.

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Trabalhadores do IPO manifestam-se contra o banco de horas. Foto do SEP/Facebook.
Trabalhadores do IPO manifestam-se contra o banco de horas. Foto do SEP/Facebook.

Os trabalhadores do Instituto Português de Oncologia concentraram-se esta quarta-feira em Lisboa para protestar contra a intenção da administração de implementar o Banco de Horas Grupal num protesto organizado pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas.

Os trabalhadores dizem que receberam com “perplexidade” a circular interna de 21 de julho na qual a administração informou sobre esta decisão e salientam que “o IPO é a primeira instituição pública a tentar implementar uma medida que tanto penaliza os trabalhadores”.

Para eles, o banco de horas grupal é “uma forma de legalizar a desregulação do horário, aumentar a carga horária e eliminar o pagamento do trabalho extraordinário” que terá como resultados “reduzir rendimentos e colocar em causa a conciliação da vida pessoal, familiar e social”. Consideram-no por isso “uma das matérias gravosas da legislação laboral que serve para embaratecer o valor do trabalho e dispor do tempo dos trabalhadores conforme a entidade empregadora entender”.

Acusam a administração de não querer “pagar as horas extraordinárias” devidas não sendo esta a resposta necessária à “carência de profissionais” existente. É preciso “contratar mais trabalhadores” disse Isabel Barbosa, dirigente do SEP, em entrevista à SIC durante a concentração dos funcionários do IPO. A dirigente sindical salienta que os trabalhadores do IPO “responderam sempre às exigências que lhes foram colocadas, nomeadamente nesta época de pandemia” para agora se depararem com uma proposta que “penaliza o seu trabalho e a sua vida pessoal”.

Conforme a lei, segue-se um referendo aos trabalhadores. Apenas no caso de 65% aceitarem a medida avançará.