Em visita ao Instituto Português de Oncologia, Catarina Martins afirmou que os dois milhões de euros anuais gastos na contratualização externa de serviços deviam servir “para prestar todos os cuidados aqui dentro e com a maior das qualidades que é reconhecida ao IPO”.
É o próprio IPO que “tem vindo a alertar para o facto de não tendo condições para a sua atividade, acabar por estar a contratualizar crescentemente fora”. E, para o Bloco, esta “não pode ser uma plataforma giratória de dinheiro do Estado para o setor privado” e “tem de poder ter aqui as condições para tratar da melhor forma toda a gente”. Assim, a atual situação “não tem nenhum sentido” e “a prazo está a fragilizar muito” o instituto oncológico nacional.
A dirigente bloquista considera que o IPO tem um grave problema por estar a ser impedido de “respeitar as carreiras dos seus profissionais”, estando desta forma a perder os profissionais mais especializados. Pelo contrário, deveria ter mais profissionais.
Parte deste problema já podia estar resolvido. Há medidas que o Governo não está a tomar e que “não necessitam da tomada de posse da nova Assembleia da República”. Uma delas diz respeito à regulamentação das autoridades de saúde às carreiras dos técnicos superior de saúde de algumas áreas. “É preciso sair uma portaria que não se percebe porque é que não sai” e, entretanto, a fuga de profissionais continua.
Outro destes casos é a necessidade de autorização para obras para as quais o IPO já tem as receitas. É “absurdo que o dinheiro esteja parado quando o IPO precisa da obra para responder melhor aos seus utentes”, avalia. Sobre estas duas questão, o Bloco vai “no imediato” questionar o governo.
A estas duas medidas imediatas, o partido acrescenta uma outra “que é muito preocupante”: o edifício novo que foi “prometido” IPO e que “é importantíssimo para a parte ambulatória”. Este estava no Orçamento de Estado para 2021 mas “desapareceu da proposta que o Governo fez para 2022”. O Bloco defende que “é importante assegurar que quando entrar uma nova proposta de Orçamento esta volte a ter um novo edifício de que o IPO precisa urgentemente” e garante que “se a proposta não aparecer pela mão do Governo, aparecerá pela do Bloco de Esquerda” porque foi um “enorme erro” ter retirado este investimento do último OE quando este já era esperado “há mais de 30 anos”.