Investigação do Ministério Público ao Novo Banco aguarda auditoria especial

25 de August 2020 - 12:00

Ministério Público aguarda as conclusões de uma auditoria da Deloitte pedida em março de 2019 e que continua a ser adiada. A auditoria poderá revelar mais dados sobre negócios ruinosos do Novo Banco.

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Em causa estão negócios ruinosos feitos pelo Novo Banco cujas perdas são depois cobertas pelo Fundo de Resolução do Estado.
Em causa estão negócios ruinosos feitos pelo Novo Banco cujas perdas são depois cobertas pelo Fundo de Resolução do Estado. Fotografia de Paulete Matos.

Os vários negócios polémicos do Novo Banco, alguns dos quais têm forçado o Estado português a injetar anualmente centenas de milhões de euros através do Fundo de Resolução, deram há meses origem a uma averiguação preventiva do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). O objetivo é perceber se existem indícios de crime nos ditos negócios polémicos. A confirmar-se, seria necessário abrir um inquérito. 

Segundo notícia da edição desta terça-feira do jornal Público, é provável que o Ministério Público converta esta averiguação em inquérito que terá por objetivo investigar crimes como burla, gestão danosa e participação económica em negócio. Mas um dos motivos pelos quais a decisão foi adiada, ao que o Público apurou, foi por continuarem a não ser conhecidas as conclusões da auditoria que o Governo pediu à consultora Deloitte. Esta auditoria, que continua a ser adiada, poderá revelar mais elementos que permitirão analisar os negócios em causa. 

As averiguações preventivas “apenas permitem recolher e cruzar informação em fontes abertas, como os registos públicos, e solicitar “inquéritos, sindicâncias, inspecções”. Mas não permitem buscas, escutas telefónicas ou recolha de elementos fiscais, tornando assim limitada a capacidade de investigação.

A auditoria da Deloitte foi pedida a 1 de março de 2019 e tem por objetivo escrutinar o  processo de “concessão dos créditos incluídos no mecanismo de capital contingente”, abrangendo os créditos concedidos entre 2000 e 2018. Ou seja, não se foca na polémica que envolveu o Novo Banco nos últimos meses a respeito das condições de venda de imóveis no mercado. 

Entre os negócios polémicos da equipa de António Ramalho está a venda de carteiras de imóveis com fortes descontos a fundos de recuperação de créditos ou a venda da seguradora GNB Vida por um valor 70% abaixo do registado nas contas. As perdas sofridas na sequência destas vendas são depois cobertas pelo Fundo de Resolução, instrumento financiado pela banca com recurso a empréstimos do Estado.