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A guerra comercial lançada pela British Airways/Iberia

O Reino Unido colocou Portugal no grupo de países que não controlam a pandemia e que inclui Estados Unidos, Brasil, Rússia ou Suécia, justificando assim a exclusão do país dos corredores aéreos seguros para Covid-19. O mesmo não aconteceu à vizinha Espanha.
British Airways e Iberia, por Scott Wright, via https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=10325620
British Airways e Iberia, por Scott Wright, via https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=10325620

O Reino Unido colocou Portugal no grupo de países que não controlam a pandemia e que inclui Estados Unidos, Brasil, Rússia ou Suécia, justificando assim a exclusão do país dos corredores aéreos seguros para Covid-19. O mesmo não aconteceu à vizinha Espanha.

Com todas as virtualidades que este conceito de “corredor aéreo seguro” tem num contexto pandémico, esta decisão resulta num golpe sério ao turismo e transporte aéreo em Portugal e num forte apoio ao turismo em Espanha, nomeadamente à companhia de aviação Iberia, detida pela British Airways desde 2011.

A fusão entre as duas companhias de bandeira deu-se em 2011, com a criação do consórcio IAG - International Airlines Group, um espelho da British Airways que efetivamente comprou a Iberia e que, desde então, se expandiu através de aquisições que lhe garantiram o controlo de 80% do mercado da aviação espanhol.  

Em novembro, a IAG anunciou a aquisição da AirEuropa, sediada em Madrid, por 890 milhões de euros, e que se tornaria a nona subsidiária do consórcio que inclui a Vueling. Apesar da pandemia, a IAG não abandonou a operação nem baixou o valor de aquisição, tendo inclusivamente aceitado um subsídio de mil milhões de euros do governo espanhol à Iberia.

Esta operação tornou-se assim um forte ponto de fricção interna à IAG, com o maior sindicato da British Airways - o Unite - a lançar uma queixa formal junto da Comissão Europeia devido aos planos de despedimento e recontratação precária de mais de 12 mil trabalhadores da BA - 30% da sua força de trabalho - enquanto se promove esta aquisição com a ajuda do Estado espanhol. A própria British Airways recebeu 300 milhões de libras num empréstimo do governo britânico bem como 1100 milhões de libras sob a forma de ajudas do Estado com o pagamento de salários.  

A crise pandémica colocou todo o setor de aviação numa posição financeira insustentável, com a própria Lufthansa - o maior grupo de aviação europeu em número de passageiros e que inclui as subsidiárias Swissair, Brussels Airlines, Austrian Airlines e Germanwings -, parcialmente nacionalizada com uma injeção de capital do governo alemão no valor de 9800 milhões de euros, além de ajudas do Estado ao pagamento de salários. No entanto, estes problemas financeiros não a impedem de considerar neste momento a aquisição da Alitalia e da Scandinavian Airlines.

Segundo o Turismo de Portugal, o mercado inglês “é o principal emissor, para Portugal, com cerca de 2 milhões de hóspedes na hotelaria, 9,5 milhões de dormidas (23% de quota), gerando mais de 2,5 mil milhões de euros de receitas”, sendo o Algarve o principal destinatário com 63% das dormidas, seguida da Madeira (19%) e Lisboa (9%). 

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