Governo incentiva perda de salários e poder de compra de todos os trabalhadores

13 de April 2022 - 18:00

Mariana Mortágua considera que, com este Orçamento do Estado, o governo se está “a aproveitar da situação da inflação” para reduzir o défice com a economia a crescer menos. Um “milagre” feito à custa de não devolver o que ganha a mais à sociedade e de transferir para os trabalhadores o custo do aumento de preços.

PARTILHAR
Mariana Mortágua. Foto de Ana Mendes.
Mariana Mortágua. Foto de Ana Mendes.

Mariana Mortágua reagiu esta quarta-feira à entrega do novo Orçamento do Estado para 2022 salientando que este é “em tudo igual ao orçamento que já tinha apresentado” mas “com uma diferença: existe agora uma inflação de 4 % que vai erodir os salários e o poder de compra dos portugueses”. Por esta razão, “o governo não pode mais repetir a ideia de que apresenta um orçamento sem cortes”.

A deputada bloquista explicou que tendo a inflação sido revista para 4%, o governo passa a prever “um aumento das receitas à taxa da inflação” porque “sobe o IVA, sobem todos os impostos que dependem do aumento dos preços”. Só que, ao mesmo tempo que isso acontece, o executivo não atualiza as despesas à taxa da inflação, o que “quer dizer na prática que as polícias, que os enfermeiros, que os médicos, todos os trabalhadores dos serviços público essenciais deste país vão ter um corte real do seu salário, que muitos pensionistas vão ter um corte real, que todas as pessoas que pagam IRS vão ser penalizadas e que nem os escalões do IRS o governo atualiza à taxa de inflação”.

Com o governo a dar este “sinal à sociedade” em vez do que seria preciso: atualizar salários e impedir a perda do poder de compra, “o que vamos assistir na economia de 2022 é um corte generalizado dos salários, não só do público mas também do privado”, considera.

Para além disso, o orçamento “não responde à maior parte das pessoas” porque também “não resolve os problemas estruturais do país: quem vai ao SNS continuará a sentir as dificuldades, continua a não ter médicos nem enfermeiros nem profissionais suficientes, quem vai à escola confronta-se com a falta de pessoal profissional, de professores” exemplificou, sublinhando que os

serviços públicos que são “o pilar do desenvolvimento deste país” conhecem “o empobrecimento a que o governo os tem votado sem que este orçamento mude radicalmente esta situação”.

A dirigente bloquista considera que o governo se está “a aproveitar da situação da inflação” para reduzir o défice com a economia a crescer menos. Um “milagre” feito à custa de não devolver o que ganha a mais à sociedade e de transferir para os trabalhadores o custo do aumento de preços.

Por fim, questionada sobre as propostas do partido para o OE2022, Mariana Mortágua reiterou prioridades como a atualização de salários, pensões e prestações e melhoria das condições de serviços públicos. Acrescentando que “não podemos ter empresas como a Galp e a EDP que aumentam os seus lucros e que os entregam todos aos seus acionistas enquanto as pessoas perdem no salário, pagam tudo mais caro, a energia mais cara e não veem sequer os escalões do IRS atualizados à taxa da inflação.