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Gelo do Ártico está a derreter a um ritmo nunca visto

Para responsável de uma missão científica ao Ártico, o impacto negativo do ritmo das alterações climáticas para os fundos e as correntes do fundo do mar podem agravar os efeitos do aquecimento global.
Foto de António Alberto Nepomuceno/ Flickr

O responsável de uma missão científica ao Ártico, o investigador belga, Roger François,mostrou-se preocupado com as consequências do ritmo das alterações climáticas para os fundos e as correntes do fundo do mar, considerando que “este desequilíbrio pode agravar os efeitos do aquecimento global.”

Em declarações à agência de notícias AFP, Roger François, que é professor na Universidade da Columbia Britânica, em Vancouver, no Canadá, disse que “durante os últimos dois milhões de anos, as temperaturas subiram e desceram em ciclos de cem mil anos, com a formação de um bloco de gelo sobre o Ártico, seguida por um rápido degelo.”

"Esta é a tendência com o degelo na Groenlândia e na Antártida só que a grande diferença em relação aos dias de hoje é que a velocidade a que se processa este fenómeno nunca foi tão rápida”, afirmou o cientista

Registe-se que cada ciclo é marcado pelo aumento do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Na última alteração, a taxa de CO2 no ar aumentou de 180 moléculas (partes) por milhão (ppm) para 280 ppm em cinco mil anos.

"Até à Revolução Industrial, o nível permaneceu em 280 ppm, mas desde então disparou para mais de 400 ppm em 2015", especificou.

Roger François disse ainda que "se continuamos assim, e parece que é o que está a acontecer, vamos acabar no final do século com níveis nunca vistos desde o tempo dos dinossauros, o "Mesozoico", ou seja, com mil ppm.”

Para o cientista, que realiza esta missão a bordo do quebra-gelo Amundsen, da Guarda Costeira canadiana" a civilização que conhecemos e em que vivemos resulta diretamente das alterações climáticas.”

No centro destas alterações estão as massas de "águas profundas" criadas no Atlântico Norte próximo da Groenlândia, quando a água da superfície do mar evapora e arrefece, devido ao vento, o que resulta no aumento da salinidade. A água restante torna-se pesada e mais densa e afunda para bacias profundas.

A água flui então para sul, ao longo dos fundos abissais, e retorna, criando correntes que são "um mecanismo principal para transportar calor do equador para os polos",explicou Roger François tendo ainda sublinhado que “com o desaparecimento da camada de gelo, a diluição no mar de icebergues de água fresca reduz a salinidade e dificulta a formação das massas de águas profundas.”

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